terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ADEUS*

Um dia vou partir pelo mundo fora de mochila nas costas, dizendo adeus até nunca mais a tudo quanto se cruzar comigo... vou despir-me desta corda asfixiante de esperanças e expectativas, de sonhos e objectivos, de desejos e pretensões, que me tolhe a vontade, e partir... vou partir, só, e sem direcção, rumo ao pôr do sol como Lucky Luke; abandonar os meus livros como Dom Quixote, o fidalgo cavaleiro de La Mancha; vou desapertar a gravata das contas, das prestações, dos cumprimentos, rasgar as camisas dos papéis que tenho aceitado desse encenador cínico chamado Vida, homem com nome de mulher, como nas personagens de Vian. Vou queimar esta roupa encharcada de hipocrisia e partir. E a cada passo direi olá adeus até nunca mais alegre ou triste não sei pessoa que te cruzas comigo. E conversarei também com os objectos, os prédios e os carros, prisões que inventámos e a que chamámos Liberdade, e caminharei na companhia das árvores e dos pássaros, sob a sombra das nuvens, as maravilhosas nuvens que passam... E a cada passo ir-me-ei despindo para que a Morte me encontre nu e eu me possa entregar por completo. 


*1411 Posts, 4 anos, 3 meses, e 16 dias depois, chegou a hora de dizer adeus. Adeus!

Um ENORME Obrigado!, a todas as pessoas que me acompanharam, que comentaram, que me linkaram, enfim, que me aturaram.

Foto de André Benjamim, em Londres.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!

Feliz Ano Novo para todos os meus amigos! Happy New Year to all my friends! Bonne année à tous mes amis! Feliz Año Nuevo a todos mis amigos!

Até 2001!
Until 2011!
Jusqu'en 2011!
...Hasta el 2011!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O SILÊNCIO ENSURDECEDOR


Ao silêncio ensurdecedor daqueles que se calam, daqueles que temem, dos cobardes, que - como dizia William Shakespeare - morrem muitas vezes antes de morrer, temos o dever de responder com um grito, um berro a plenos pulmões. 

Porque o silêncio é complacente com as injustiças, as intrigas, a mediocridade. Porque os cobardes vivem da maledicência, da intriga, do atemorizar dos fracos, devemos ser firmes e fortes perante eles. Porque os cobardes são fortes com os fracos, fracos com os fortes.

Pior que um energúmeno utilizar o seu pequeno poder, escudado de torpes lacaios, legitimado por caciques e indiferença, na Assembleia Municipal, de uma capital de distrito, de um país que se auto-denomina democrático, para denegrir e enxovalhar um cidadão - pior que isso é a complacência e o silêncio da grande maioria dos restantes deputados municipais.

Pode parecer surreal, pode parecer um história saída de um romance do realismo fantástico sul-americano, mas é real, e está a acontecer na Assembleia Municipal da Guarda.

Imagem: retrato de Américo Rodrigues (director artístico e financeiro do Teatro Municipal da Guarda), feito por Alexandre Gamelas.