sábado, 11 de setembro de 2010


Quando damos por nós à espera da passagem das horas, envolvidos pelo tédio no seu limbo de marasmo e melancolia, a existência transforma-se num interminável e sorumbático suplício. A única esperança reside no súbito aparecimento de um dia melhor – firme ilusão com que subsistem os canalhas. Não surgirá melhor dia. Quando o presente não nos satisfaz, foi derrubada a barreira entre nós e o absurdo. Demo-nos conta do exílio a que nos encontramos condenados. Para os canalhas o futuro é a fuga ao absurdo. Mas como qualquer outra é uma ilusão também. E incapacitante. A esperança de que um dia melhor virá resgatar-nos do exílio, do absurdo, do presente, prende-nos ao que há, impedindo-nos de lutar contra essa angustiante alienação com a única arma de que dispomos: nós mesmos.

texto e fotografia de André Benjamim

domingo, 20 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO


Na fotografia, o momento em que José Saramago autografava o único livro seu que tenho autografado. Calhou em sorte ser "A Caverna", no dia 25 de Novembro de 2000, alguns dias após a saída do romance. Gostaria que tivesse sido "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" ou "O Ensaio Sobre a Lucidez" ou mesmo "A Bagagem do Viajante" (crónicas), um dos meus preferidos, crónicas anteriores aos romances que lhe trouxeram aclamação mundial, e que têm já nas linhas e entrelinhas tudo o que veio depois, na Literatura e na vida pública do autor. Naquele 25 de Novembro de 2000, não sei porquê, o José Saramago trocou-me o nome. Olhou para mim, perguntou qual o nome que queria, disse-lho, e quando cheguei a casa, ao abrir o livro novamente deparei-me com outro nome (o primeiro, que o segundo está correcto, conforme ao meu bilhete de identidade). Sempre que abro o livro sorrio. É o único romance do Saramago que até hoje nunca li.

Anos mais tarde poderia ter tido o Evangelho autografado, ou outro qualquer. Mas preferi não ter. Porque era no mínimo desagradável o abuso de muitos leitores (?) que chegavam às apresentações de livros do José Saramago, carregados com todos os livros que tinham em casa. Ainda assim, José Saramago ali permanecia durante horas estóicas, a fio. Mais tarde já não tinha esse tempo, essa disponibilidade. Era até uma falta de respeito, quanto a mim, levar mais que um livro. Numa das sessões de apresentação de "Ensaio sobre a Lucidez" em cuja organização participei, não houve tempo para a habitual sessão de autógrafos. Houve quem falasse em devolver o livro (e houve quem devolvesse mesmo) por não terem o autógrafo! Quão mesquinho é o ser humano! Enquanto membro da organização daquela sessão de apresentação, a Editorial Caminho ofereceu-se para levar livros para serem autografados posteriormente pelo José Saramago. Mas eu não quis. O José Saramago era o meu preferido dos escritores vivos. Agora o José Saramago é um dos meus preferidos dos escritores imortais.

Comprei os jornais diários todos. Sobre certas figuras e instituições, nem comentários há a fazer. Enfim, previsíveis. Morreu o único Nobel da Literatura Portuguesa. Goste-se ou não, morreu o único escritor Português a quem foi atribuído o Prémio Nobel. Estava e já não está. A sua obra continua a acompanhar-nos.

domingo, 6 de junho de 2010

A MINHA SELECÇÃO*


*A minha Nação é o Sport Lisboa e Benfica, a minha Pátria, como para Bernardo Soares, é a Língua Portuguesa.