segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

SILÊNCIO E DESENCANTO*

Silêncio e desencanto: são talvez as palavras que melhor definem o sentimento que atravessa as cidades e os campos, os corpos, os olhares e os sorrisos, as pessoas. Silêncio de esmagamento e impotência. Desencanto com a vida, o futuro, o horizonte que se perscruta e parece cada vez mais distante. A crise, essa bolha económico-financeira, inventada pelas instituições financeiras, não para dela serem vítimas, mas para com ela se vimitizarem, e dela retirarem benefícios, não surgiu como o fim óbvio de um ciclo, mas como o início de outro: o início de um ciclo onde todas as tropelias se justificam: o desemprego que é inevitável, o encerramento de empresas (patrões, gestores e accionistas com fortunas em off-shores ou em contas helvéticas) que não são mais viáveis - depois de investimentos titânicos dos governos europeus elas viajam para território asiático, onde a mão-de-obra é mais barata, forma de dizer «escravizada» , o gigantesco aumento da diferença entre ricos e pobres. 
As ruas das cidades, os cafés, os pontos de encontro, já não têm o mesmo encanto, o mesmo barulho de antigamente - palavra que até há pouco tempo significava dezenas de anos, designa agora, em algumas circunstâncias, apenas meses. Tudo está tão vazio, que as injustiças perpetradas à vista de todos, não causa qualquer ressonância em ninguém. Alguns dos mais resistentes e perseverantes atingirão os seus sonhos (como sempre acontece, cada vez com menos frequência e certeza). Mas, à custa de que pesadelos?

*Surgiu este post após a leitura deste.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

UM DIA...


Gostava de ter paciência para vir aqui mais vezes a este recanto que tenho deixado ao abandono, porém, ando sem paciência para nada, sem paciência para mim mesmo, sem motivação nem vontade.

Entretanto, vou lendo as crónicas do João César das Neves no Diário de Notícias. Um génio! Mais nenhuma pessoa neste país me dá ao mesmo tempo vontade de rir e de chorar, a maioria das vezes de chorar a rir! Ele é o salário mínimo ser o maior causa(dor) de desemprego porque os desgraçados dos patrões não conseguem pagar esse valor extravagante que mal dá para governar uma boca! Ele é os homossexuais e essa coisa de poderem casar ser o motivo da cada vez menor taxa de natalidade, que, coitados dos heterossexuais, por causa dos depravados que vão para o inferno deixaram de saber como se procria! Enfim, com tamanho génio, qualquer dia descobre o caminho marítimo para a Índia, este valoroso navegante das ideias, profeta do cataclismo, evangelizador dos pobres de espírito - que deles será o reino dos céus! - Ámen!

Desconfio mesmo que um dia ainda há-de vir com a teoria que o Salário Mínimo Nacional é a causa da descida da Taxa de Natalidade! Sim! Imaginem que se não tivessem mais que fazer, esses desgraçados que sobre-vivem com o Salário Mínimo, tinham tempo para procriar! Mas com tanto dinheiro para gastar... E, com um pouco mais de argúcia, bem aguçado o astuto génio, ainda há-de concluir que é o  Elevado Salário Mínimo a causa da homossexualidade...