sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Imagem via Crónica das Horas Perdidas.

Apenas para roçar o foleiro, usar do lugar-comum, mas principalmente irritar pessoas que me irritam profundamente, declaro: "Com 9 anos de atraso, Portugal prepara-se para alcançar finalmente o século XXI" Nem que fosse apenas para me rir ao ler tamanhos dislates, já valeria a pena! Que pena que tenho desses maricas cobardes, com mulheres-a-dias em casa, e a foder nos vãos de escada com cunhados, primos, e enteados ou afilhados! Com a bênção da Santa Madre Igreja! E que saudades sinto dessa família tradicional, com a tradicional bofetada no estafermo do garoto que não se cala, a porrada na mulher - se não souberes porquê, não te preocupes, que ela sabe! - que é chata! Tenho pena desses mariquinhas pé-de-salsa, coitados! Já não lhes bastava viverem com eles próprios toda a vida, terem agora que suportar os vizinhos casados com quem eles queriam! Até agora ainda tinham a desculpa que não podiam! Depois do broche, bebiam o copo de vinho, batiam na mulher, chamavam paneleiro ao filho! Agora ainda terem que assistir ao beijo do vizinho no namorado, noivo daqui a uns meses, quase casado!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

AVATAR


Tenho passado mais tempo no facebook que na vida real, levo o computador para os cafés, peço uma água, e vou ver como andam os animais ou as plantas na minha quinta, eu que sempre detestei agricultura, e que até hoje apenas cultivei a minha árvore de culto, um azevinho - um frondoso azevinho, tenho-vos a dizer! Os dias custam. Os amigos e conhecidos, ocupados nas suas vidas, estão longe. O trabalho cansa, e não compensa. Mas ali estão todos, e outros que nunca verei, a quem nunca perscrutarei o brilho no olhar, o aroma, o tacto, a pele. Todos à distância de uma palavra de circunstância, circunstancial e inconsequente. Redesenhados, recriações de um mundo, de uma vida, de um tempo, que talvez tenhamos tido, que talvez tenhamos perdido. Há sempre um coração para oferecer, um sorriso, um coelho ou uma oliveira, uma arma de calibre inimaginável na nossa máfia privada, ou um saco de moedas para ir para o parque de diversões. Há sempre um pedido para satisfazer, ou uma causa para apoiar. E nós estamos sempre lá, como um ombro amigo, ombro que nos ampara sempre que pedimos, ou ainda antes. Assim vale a pena. Assim amigo, amizade, amor, solidariedade, são palavras com sentido; oh coração, com sentido intimo! Assim, que não trocaria a vida real pelo facebook? Depois, a bateria acaba e é hora de ir para casa, para a casa vazia, ou ocupada por outros que no fundo nos são estranhos - tens facebook? - para o quarto desarrumado - lembrei-me agora que tenho que ir cuidar do meu apartamento. Até já!


P.S. Digam lá se a minha versão virtual não é bem mais bonita que a real?