sexta-feira, 3 de julho de 2009

FÉRIAS - END OF PART ONE

Sexta-feira, 03 de Julho, chega ao fim a primeira parte das minhas férias. Até às 16 horas tenho que fazer o check out do Parque de Campismo: acreditem, depois de três noites a dormir na companhia de formigas e afins, todo e qualquer colchão serve! 
Parto! Para norte ou para sul, eis a questão! Sentado na zona wireless - agora há uma zona destas em qualquer canto do país, por mais remoto que seja! Ainda se recordam de quando era tarefa ingrata procurar um pêcêzito com acesso à internet?! Ah pois é!, maravilhas do choque tecnológico! Hoje em dia não oferecer wireless aos clientes é tão indecoroso como cobrar por um copo de água! - Dizia, sentado na zona wireless do bar/restaurante do Parque de Campismo, é nisto que medito: Norte ou Sul?!
Haverá coisa melhor que passear pelos principais títulos dos jornais sem ter que mexer o rabinho até ao quiosque mais próximo, enquanto se saboreia um café, se passam os lábios por dois ou três cigarros, headphones nos ouvidos, mp5 com o som ao máximo! (sim, um gajo farta-se dos sons da natureza! um pouco de silêncio por favor! basta de cães gatos e pássaros!)
Não sei! Vou meditar mais um pouco no assunto! Ou partir sem destino nem direcção! Ups, mas isso é o que tenho feito toda a vida, e não saí ainda do mesmo lugar! Qualquer dia dou comigo a coleccionar bilhetes de destinos aonde nunca irei, qual Álvaro de Campos, roçando-me pelas engrenagens da civilização!


Imagem de Isa Costa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

rascunho encontrado num caderno abandonado #77*

Nós devíamos estar juntos, senão na mesma cama, no mesmo quarto; senão no mesmo quarto, na mesma casa; senão na mesma casa, na mesma vida. Porém a vida separou-nos; e nós nada fizemos para a contrariar. Agora, dizem que as drogas te destruíram a vida; dizem que me destruo com álcool; todavia, desconhecem o motivo que nos levou à dependência, ao olhar agressivo, às palavras duras e agrestes. Esse sim, foi o motivo da nossa destruição. Não aquela que hoje se nota no nosso corpo, no nosso andar, no vagar com que carregamos os dias, mas aquela que antes arrasou a frágil substância de que é feita a alma.


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*Post ainda escrito em São Pedro de Moel, onde o clima incerto dá cabo dos meus nervos, como sói dizer-se. E em 5 minutos passou de um cerrado encoberto para um tórrido sol.

rascunho encontrado num caderno abandonado #76*

xx anos que sinto que vivo uma vida que não é a minha; sou um estranho dentro do meu corpo; sou um estranho em mim mesmo. Preferia ter morrido naquela tarde do dia zz de hhhhh de yyyy. Este que continua a habitar-me é um moribundo sem apetite, que mal consegue comer - que se arrasta através dos dias - que tem problemas de saúde - física, emocional, e psicológica - sim, apenas em consequência dessa tarde, desse segundo, desse momento! Sim, preferia ter morrido! Não lhe teria feito qualquer diferença - e eu não tinha passado por isto.
Sinto que entrei no palco errado, onde decorre uma narrativa completamente diferente da minha! Não sei o meu espaço, a meu papel, as minhas entradas e saídas! Estou acossado contra a parede - e a cortina final teima em nunca mais descer!



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*Rascunho publicado ao relento, do Parque de Campismo de São Pedro de Moel. Fotografia de Hugo Rebelo. Quem quiser vir tomar uma qualquer bebida - até um copinho de leite! - está convidado/a.