segunda-feira, 30 de março de 2009

NOKIA 2630

Nove anos depois, voltei a comprar um telemóvel; não tem grandes características, mas tira umas fotos miseráveis, e dá para falar e escrever mensagens! Claro que comparado com o meu antigo telemóvel, é uma máquina do futuro! Agora que comprei este, sei que nunca mais vou parar; ou antes, vou até onde o dinheiro me deixar. Até porque dificilmente conseguirá chegar aos nove anos de idade; coisa que para um telemóvel deve equivaler a novecentos e tal anos... Portanto, dou comigo a sonhar com o próximo, que há-de tirar fotografias dignas da melhor compacta, e de fazer inveja a algumas reflex; terá um cartão de memória com mais capacidade que o disco rígido do meu primeiro personal computer, e nenhum leitor de mp3 ombreará com ele...

sexta-feira, 27 de março de 2009

O MUNDO INTEIRO É UM PALCO - 27 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DO TEATRO

O mundo inteiro é um palco.
Todos os homens e mulheres não passam de actores,
Têm as suas entradas e saídas;
E na sua vida um homem desempenha muitos papéis;
Os seus actos têm sete idades.
Primeiro, a criança,
Gritando e babando nos braços da ama.
Depois o escolar chorão, com a sua pasta.
E a sua brilhante face matinal, vai rastejando como um caracol
De má vontade para a escola. E depois o apaixonado
Suspirando como uma fornalha, com uma balada triste
Composta para a sobrancelha da sua namorada. Mais tarde um soldado,
Cheio de estranhos juramentos, e barbado como um leopardo,
Zeloso da honra, e violento e rápido na luta,
Buscando a bolha de ar que é a fama.
Até na boca do canhão. E depois a vez do juiz,
Com a sua barriga redonda recheada com um bom capão,
De olhos severos e barba de corte formal,
Cheio de sábios refrões e exemplos modernos,
E assim representa o seu papel. A sexta idade se transforma
Em calças longas e chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa de lado,
Seus calções da juventude, bem conservados, demasiadamente largos
Para suas magras canelas; e a sua forte voz viril,
Transformando-se novamente em falsetes infantis, apita
E assobia o seu som. A última cena de todas,
Que põe fim a esta estranha história cheia de acontecimentos,
É uma segunda infância e um simples esquecimento,
Sem dentes, sem olhos, sem paladar, sem nada.

William Shakespeare, In As You Like It