Porque quando me deixo levar pelo compulsivo consumismo, nunca deixo a coisa por metade, hoje comprei também a única obra de Oscar Wilde que, embora já tivesse lido, ainda não tinha comprado. De Profundis. 11€! Estão caros os selos!
sábado, 28 de fevereiro de 2009
OFÍCIO CANTANTE - herberto helder
Por fim, não resisti, e lá dei os 48€. Para não pensar nisso, passemos à página 136:
Há sempre uma noite terrível para quem se despede
do esquecimento. Para quem sai,
ainda louco do sono, do meio
de silêncio. Uma noite
ingénua para quem canta.
Deslocada e abandonada noite onde o fogo se instalou
que varre as pedras da cabeça.
Que mexe na língua a cinza desprendida.
Há sempre uma noite terrível para quem se despede
do esquecimento. Para quem sai,
ainda louco do sono, do meio
de silêncio. Uma noite
ingénua para quem canta.
Deslocada e abandonada noite onde o fogo se instalou
que varre as pedras da cabeça.
Que mexe na língua a cinza desprendida.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
ANANKÊ*
não posso ouvir
o teu nome
e saber-te distante
como a distância
de uma palavra
amo-te! serviria?
tanta ânsia
de amar-te! poderia?
e saber a possibilidade
da desilusão
tanta como
tão grande o
desespero
estou doido? seria
mais fácil, mas
é como quando passas
ao meu lado
um discurso
disfragmentado
porque me olhas?
porquê? poderei
algum dia
perguntar-te, e depois
esquecer?
como este cigarro
que acendo, e depois
apago
(ou seja, amanhã
quando acordar...)
Escrito a 09 de Fevereiro de 2003; publicado anteriormente neste blog aqui.
*Anankê: Destino, em Grego. É também uma das divisões da tragédia grega.
o teu nome
e saber-te distante
como a distância
de uma palavra
amo-te! serviria?
tanta ânsia
de amar-te! poderia?
e saber a possibilidade
da desilusão
tanta como
tão grande o
desespero
estou doido? seria
mais fácil, mas
é como quando passas
ao meu lado
um discurso
disfragmentado
porque me olhas?
porquê? poderei
algum dia
perguntar-te, e depois
esquecer?
como este cigarro
que acendo, e depois
apago
(ou seja, amanhã
quando acordar...)
Escrito a 09 de Fevereiro de 2003; publicado anteriormente neste blog aqui.
*Anankê: Destino, em Grego. É também uma das divisões da tragédia grega.
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