
Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio a troco de um história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de lhe dar um tecto, um prato de comida quente ao fim do dia e aquilo por que mais anseia: ver o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente lhe sobreviverá. Um escritor está condenado a recordar esse momento pois nessa altura já está perdido e a sua alma tem preço.
*PRIVATE MESSAGE PARA UM ANJO: Sim, ultimamente só tenho pensado em dinheiro; porém, cogita um pouco: é regra geral que o ser humano cisme naquilo que lhe faz falta e dê pouca importância àquilo que está à distância de um abraço. O que não significa que aquilo que cabe no aperto de um abraço seja menos importante; apenas menos ausente. E a ausência, a ausência fere.
