sexta-feira, 22 de agosto de 2008

ADEUS...

vou chorar-
-te para
sempre, mas
já chorei
outros antes.
e também
as lágrimas
se acabaram.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Foi só um clarão amarelo no seu tornozelo. Ficou parado por um instante. Não gritou. Caiu de mansinho, como caem as árvores. Nem sequer fez barulho, por causa da areia.

Texto e Ilustração de Antoine de Saint-Exupéry.


Porque é que sempre que encontramos O Principezinho nunca nos lembramos que chegará a hora em que ele partirá?

domingo, 17 de agosto de 2008

Se numa Noite de Inverno um Viajante

Não é por esperares de alguma coisa especial deste livro em especial. És uma pessoa que por questão de princípios já não espera nada de nada. Há muitos, mais jovens que tu mas também menos jovens, que vivem na expectativa de experiências extraordinárias; dos livros, das pessoas, das viagens, dos acontecimentos, do que o dia de amanhã lhes reserva. Tu não. Tu sabes que o melhor que se pode esperar é evitar o pior. Foi esta a conclusão a que chegaste, tanto na vida pessoal como nas questões gerais e até mesmo mundiais. E com os livros? É isso, exactamente porque o excluíste em todos os outros campos, achas que é justo concederes-te ainda este prazer juvenil da expectativa num sector bem circunscrito como é o dos livros, onde as coisas te podem correr mal ou correr bem, mas o risco de decepção não é grave.

Li praticamente todos os livros de Italo Calvino; por razões diversas, Se numa Noite de Inverno um Viajante, era um dos que nunca tinha tido a oportunidade de ler/comprar. Hoje, ao cirandar nas galerias de um centro comercial - triste modo de passar a tarde - entrei numa livraria - não vale a pena fazer publicidade, tão parcas andam as estantes das supostas livrarias de referência - e encontrei o referido livro em promoção. Isto para dizer que nunca como neste parágrafo que acima cito, tinha sentido que era para mim que o narrador/autor falava.