quarta-feira, 30 de julho de 2008

ACONTECEU EM ALGUM LUGAR, NALGUM TEMPO, AiNDA QUE APENAS NA NOSSA iMAGiNAÇÃO...

Perdeu o terceiro dia a juntar as águas inferiores, para que se pudesse ver a parte sólida que ocultavam. Estava velho e cansado, e apesar do conhecimento enciclopédico que possuía, já se lhe olvidara do nome da coisa que as águas inferiores escondiam. Decidiu chamar-lhe terra, embora considerasse de imediato que não era um nome nada original. Depois, quando acabou de ajuntar as águas, viu que ainda tinha a tarde inteira para brincar aos inventores. Foi então que decidiu que era hora de criar as verduras, porque um mundo castanho e azul lhe parecia demasiado entediante. Bocejou, e de seguida criou, com um gesto lento e pesado, a relva e as árvores frutíferas, a quem ordenou que dessem frutos («aproveitando o facto de serem frutíferas…» pensou) sobre a terra, mas que nunca se atrevessem a fazê-lo sobre o mar. Mal acabara de dar esta ordem, já uma macieira esguia se escapulia para o mar, correndo sobre duas raízes raquíticas, com os seus galhos esgazeados a abanar. Para mostrar o seu poder às outras árvores, deixou que a pobre se afogasse. Amedrontadas, enfiaram as suas raízes na terra, e encolheram-se. Deus, vendo que tudo era bom, mas que mesmo assim elas lhe podiam desobedecer, tirou-lhes a força das raízes, e assim ficaram presas para sempre. Pintara-se no firmamento o crepúsculo quando Deus decidiu que as águas inferiores a que não tinha dado nome, e que agora estavam juntas, se deviam chamar mar. Deitou-se sobre a terra, olhando uma macieira escanzelada que tremia enroscada no elemento sólido. «Estas macieiras ainda me hão-de dar chatice!», pensou. E foi dormir.

Fabrízio Tommasini, excerto inédito, e não revisto, de um livro cujo título o meu amigo não me deixa revelar. A imagem é um pormenor do quadro Jardim das Delícias Terrenas, de Bosch, e foi abduzida algures do blog do André.

terça-feira, 29 de julho de 2008

HiSTÓRIAS ERÓTICAS

Eu comprei e li as Histórias Eróticas, e aconselho! No domingo não me dei ao trabalho de ir ao quiosque; digamos que não estava num bom dia para metamorfoses; além de mais tenho três exemplares em casa; e tenho que me libertar dos meus impulsos coleccionistas! Claro que se o vir em algum quiosque vou regateá-lo, mas enfim... Ah, Luís, se não viste nenhuma referência na blogosfera foi porque o pessoal está com receio que esgote e, então, portanto, não é aconselhável muita publicidade... Sabes como é... Quando tem a palavra grátis acoplada...

1000 em 57 minutos*

Salman Rushdie assinou/autografou 1000 exemplares de Enchantress of Florence, em 57 minutos... Eu até o desafiava! Mas para isso era preciso vender 1000 exemplares de qualquer coisa!



*Post-Scriptum: devo ter assinado uns 70 exemplares em hora e meia... mas não estava a competir! E escrevia dedicatória, data e local...