sábado, 5 de janeiro de 2008

FIHANKRA* todos os dias são iguais e nenhum parece assim não te mandarei como outrora um fruto para os teus lábios anunciando o breve rumor dos meus passos afundando-se na neve todos os dias são iguais como a pureza como a morte tudo trazem tudo levam: são partos de luz sem destino nenhum *Título do autor, António Godinho, na obra conjunta CINCO Novos Poetas da Guarda, Edição do Aquilo - Teatro, Dezembro de 1998. Originalmente publicado na revista "Aquilo" n.º 8 de Julho de 1984. Blog de António Godinho.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

cidades

Numa conversa de café, conversa chocha agora em versão sem cigarro, um ente perguntou-me, insistindo, Qual a cidade da tua vida, aquela onde gostarias de viver?... Resposta assaz difícil de encontrar... Daquelas em que vivi? Daquelas que sonhei? Das que desejei? Daquelas que por algum motivo, muitas vezes não o melhor, me dizem alguma coisa? Não sei, não sei... Não faço ideia! Tenta! Tento? Queres nomes? O que te importa é uma resposta, não a resposta? Assim são as pessoas. Contentam-se com uma resposta, sem quererem saber se a resposta é a resposta... Talvez seja uma destas, por ordem alfabética, admitindo que de facto eu gostaria de viver numa cidade: Amesterdão, Bruxelas, Coimbra, Genève, Guarda, Lamego, Lisboa, Los Angeles, Neuchâtel, Nyon, Paris, Pinhel, Veneza. Esta é a lista das que encaixam em algum dos critérios acima citados. Todavia, é provável que não seja nenhuma destas. Enfim, Paris é a que mais tenho sonhado, contudo é outra aquela que mais tenho desejado... Quadro de Stephen F. Soitos intitulado Night City. Site do Pintor.

rascunho encontrado num caderno abandonado #58*

Quando te encontrei...
Por entre a densa floresta devastada, escura e fria da minha alma, abriste um caminho até ao meu coração - e, calmamente, minuciosamente, como quem agarra um bem raro, frágil, precioso, restauraste as cordas e molas que o fazem bater. Agora é como um relógio alegre; um doce palpitar no meu peito. A luz regressou aos meus dias, deste cor ao cantar dos pássaros - e os olhos abriram-se-me outra vez para a beleza do mundo - como se novamente tivessem nascido.
rascunhos encontrados num caderno abandonado anteriores: #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38, #39, #40, #41, #42, #43, #44, #45, #46, #47, #48, #49, #50, #51, #52, #53, #54, #55, #56, #57, *Post dedicado à minha amiga Rita, que no Natal me enviou este sms: "Nesta noite mágica penso nos que com a sua luz alimentam o meu brilho nos olhos... Penso em ti... Recebe das estrelas a ternura, um beijo e aquele abraço *Feliz Natal*" - Não sei se foi uma mensagem personalizada ou se foi igual a tantas outras para tantas outras pessoas; foi a única que me tocou! Claro que fiquei tocado pelo gesto de todas as outras pessoas, mas não pelo texto tantas vezes repetido ao ponto de me questionar Ora vamos lá ver se já tinha recebido esta?... Enfim, não enviei nenhuma mensagem de Natal. Quem me conhece sabe que o Natal, per si, não tem qualquer significado para mim. E a experiência do Natal também não me trouxe ao longo destes 26 anos de vida qualquer significado. O que mais próximo está de despertar em mim é a nostalgia - nostalgia de algo que nunca aconteceu; quiçá a única verdadeira nostalgia... beijinho Rita. Sei que vais ler este post, mais cedo ou mais tarde. Beijinhos e abraços a todos os meus amigos e amigas, signifique lá o que significar essa estranha palavra que assim se escreve.