sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

a minha vida numa palavra (4)

estropiado
*estropiado - adj. aleijado, mutilado; inabilitado; (fig.) alterado; desvirtuado. *estropiar - (It. stroppiare), v. t. cortar ou privar do uso algum membro a; aleijar; (fig.) desfigurar, desvirtuar o sentido da palavra, ideia; pronunciar mal; interpretar ou copiar mal um texto; v. refl. aleijar-se, mutilar-se. (1) (2) (3)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O Principezinho e a Raposa*

Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
- Ah! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que "estar preso" quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que é que "estar preso" quer dizer?O Principezinho Antoine de Saint-Exupéry Raposa
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?

(...)

A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o princpezinho.
- Por favor... Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!

(...)

- Ai! - exclamou a raposa. - Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quisseste que eu te prendesse a mim...

Antoine de Saint-Exupéry, in O Principezinho (Editora Caravela, 17.ª edição, pp. 66-74 - capítulo XXI).

*Este excerto é para mim o conjunto de palavras mais deprimente da história da Literatura; não fosse as lágrimas terem-se-me secado há muito, choraria que nem um desalmado. Nunca nenhum livro, nem filme, nem música, nem poema - me levou às lágrimas. Apenas O Principezinho. É, das obras de que gosto, aquela que mais detesto. É dos únicos livros que reli; não uma, nem duas ou três... Simplesmente perdi-lhe a conta. Até que decidi que não o podia voltar a reler. De cada vez que lhe pego, detesto-o mais um bocadinho. Apetecia-me pegar n' O Principezinho e esmigalhá-lo - tanto à personagem como ao livro. O triste do meu livro - que me foi oferecido - já foi atirado contra tudo. Ainda agora estou a olhar para ele de viés e só me apetece queimá-lo. E não é por ter um final infeliz. É por me fazer lembrar das pessoas que passam por nós, que nos prendem - ao contrário da raposa, sem que lho peçamos - e que depois continuam o seu caminho como se nada fosse... Puta de vida!

rascunho encontrado num caderno abandonado #48

A um Amor que não ousou

Sei que o dia se apagou
E não voltarás. O silêncio
inundou-nos a alma!

Escutas ainda a melodia
Que nos embalava? A alma!
Notas o tom? O silêncio

Imenso que nos invadiu.
As palavras silenciadas
A voz seca, o áspero olhar.

O dia era claro, cintilante
Mas o silêncio, escutas
O silêncio que nos feriu?

É o som de uma alma
que se dividiu.


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