quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

amizade

Lembro-me de ler, há uns anos, um livrito chamado "Últimas Palavras". Recolhe um conjunto de diálogos entre Gerard Prévost e Jean Guitton. As conversas decorrem em 1995, se não me engano, quando o velho filósofo contava já 94 anos. Morreria em 1999. O livrinho recolhe as "últimas palavras" de um homem sábio, de lúcido optimismo até ao fim. Entre as conversas sobre filosofia e religião, sobre o tempo e a eternidade, há um olhar acutilante sobre a vida e os afectos, sobre o ser humano, na sua fragilidade complexa. E, no meio de tudo isso, que guardo de forma mais ou menos nebulosa, recordo que Prévost pergunta a dada altura: "E teve muitos amigos ao longo sua vida?" "Tive três. Já não é nada mau...", responde Guitton.
Maurice, inblog Maurice.
Tenho para mim que nunca tive nenhum... - Talvez haja por aí quem venha reclamar; mas não será esse o primeiro sinal? - Pronto, com este malabarismo retórico, talvez tenha refreado algumas reclamações... Se houver por aí algum, é favor apresentar-se!

a ler*

*Excertos do parecer de Pedro Múrias - Mestre em Ciências Jurídicas, Assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa - há seguinte questão: São constitucionalmente válidas as disposições legais, designadamente do Código Civil português, que restringem o casamento a pessoas de sexo diferente?
Para lá das evidências, por vezes subjacentes a elas, a argumentação e a decisão jurídicas sofrem de enviesamentos. Um enviesamento é uma tendência para usar certos argumentos normativos ou factuais errados, ou para decidir por razões não explicitadas, por vezes inconscientes, inaceitáveis como fundamento da decisão. Enviesamentos típicos são o preconceito e a parcialidade. O ideal da justiça vendada é o ideal de uma justiça direita, sem esses desvios, e daí as especiais garantias, incompatibilidades, impedimentos e privilégios dos magistrados. (...) A objectividade perfeita é inalcançável, mas o decisor deve tentar aproximar-se dela tanto quanto possível. Em problemas jurídicos relacionados com a orientação sexual, maxime a homossexualidade, devemos acautelar-nos contra um enviesamento específico, a homofobia, que é um preconceito e uma atitude equivalente, p. ex., ao machismo e à xenofobia. As sociedades que conhecemos são homofóbicas, a educação de todos nós foi homofóbica, a linguagem corrente é homofóbica. Basta pensar nos termos insultuosos que designam os homossexuais, sem haver insultos simétricos para os heterossexuais. As crianças ensinam umas às outras, quando não o ouvem dos adultos, que não há nada pior do que ser «maricas». O preconceito agrava-se, por exemplo, por a mesma palavra querer dizer «homossexual» e «medroso». Cabe ainda notar que o facto de uma pessoa ser homossexual não garante que não seja também homófoba, como se vê pelos comportamentos de «armário» — i.e., o não reconhecimento público da homossexualidade ou, inclusive, a não auto-identificação como homossexual — cuja revelação frequentemente delicia certa imprensa mundial. Mais do que isso, não é de esperar que todo o profundo condicionamento para a homofobia, recebido desde a infância, desapareça de um momento para o outro sem deixar rasto. Todos somos homófobos. O autor destas linhas em defesa jurídica do casamento entre pessoas do mesmo sexo não deixa de notar em si, pelo menos, algum «desconforto estético» perante demonstrações de amor erótico homossexual ou representações artísticas da homossexualidade. Ora, o reconhecimento da nossa condição homofóbica é indispensável à boa decisão jurídica do caso que se apresenta.
O negrito é da minha responsabilidade, e vai directamente para três meus conhecidos que - quem sabe - leiam isto... ADENDA: A ler, igualmente, a Declaração de Direitos Sexuais, decidida em Valência, no XIII Congresso Mundial de Sexologia, em 1997. Em resumo:
  1. O direito à liberdade sexual;
  2. O direito à autonomia sexual, integridade sexual e à segurança do corpo sexual;
  3. O direito à privacidade sexual;
  4. O direito à igualdade sexual;
  5. O direito ao prazer sexual;
  6. O direito à expressão sexual;
  7. O direito à livre associação sexual;
  8. O direito às escolhas reprodutivas livres e responsáveis;
  9. O direito à informação baseada no conhecimento científico;
  10. O direito à educação sexual compreensiva;
  11. O direito à saúde sexual.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

os náufragos XIII* - extra



The End, The Doors

This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end

Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again

Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land

Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah

There's danger on the edge of town
Ride the King's highway, baby
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway west, baby

Ride the snake, ride the snake
To the lake, the ancient lake, baby
The snake is long, seven miles
Ride the snake...he's old, and his skin is cold

The west is the best
The west is the best
Get here, and we'll do the rest

The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where you taken' us

The killer awoke before dawn, he put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall
He went into the room where his sister lived, and...then he
Paid a visit to his brother, and then he
He walked on down the hall, and
And he came to a door...and he looked inside
Father, yes son, I want to kill you
Mother...I want to...fuck you

C'mon baby, take a chance with us
C'mon baby, take a chance with us
C'mon baby, take a chance with us
And meet me at the back of the blue bus
Doin' a blue rock
On a blue bus
Doin' a blue rock
C'mon, yeah

Kill, kill, kill, kill, kill, kill

This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end

It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die

This is the end

*Serve esta música para ilustrar estes quadros: Little Sailors, de Charles Warren Mundy; Boys on the Shore, de Albert Edelfelt; The Wounded Angel, de Hugo Simberg; The Blue Pond, de Luis Graner y Arrufi; Checker Players, de Thomas Pollock Anshutz; The Little Boat, de Albert Edelfelt; Ruby, Gold and Malachite, de Henry Scott Tuke; Boys in a Pasture, de Winslow Homer; Beggar Boys Eating Grapes and Melon, de Bartolomé Esteban Murillo; L'Embuscade, de Andre Henry Dargelas; The Promise, de Henry Scott Tuke; e Brothers, de Lynne Cerro.