Ofício Cantante — Poesia completa
Herberto Helder
I.S.B.N.: 978-972-37-1396-1
624 pp.
P.V.P.: 48 €
São claras as crianças como candeias sem vento,
seu coração quebra o mundo cegamente.
E eu fico a surpreendê-las, embebido no seu poema,
pelo terror dos dias, quando
em sua alma os parques são maiores e as águas turvas param
junto à eternidade.
As crianças criam. São esses os espaços
onde nascem as suas árvores.
Enquanto as campânulas se purificam no cimo do fogo,
as crianças esmigalham-se.
Seu sangue evoca
a tristeza, tristeza, a tristeza
primordial.
- Enlouquecem depressa caídas no milagre. Entram
pelos séculos
entre cardumes frios, com o corpo espetado nas luzes
e o olhar infinito de quem não possui alma.
Seu grito emonta ao verão. Inspira-as
a velocidade da terra.
As crianças enlouquecem em coisas de poesia.
Escutai um instante como ficam presas
no alto desse grito, como a eternidade as acolhe
enquanto gritam e gritam.
- É-lhes dado o pequeno tempo de um sono
de onde saem
assombradas e altas. Tudo nelas se alimenta.
Dali a vida de um poema tira
por um lado apaixonadamente; por outro,
purificação.
Nelas se festeja a imensidade
dos meses, a melancolia, a silenciosa
pureza do mundo.
Quem há-de pensar para as crianças, sem ter
espinhos nas vozes desertas
até ao fundo? É vendo-se aos espelhos,
no seguimento da noite,
que as crianças aparecem co o horror
da sua candura, as crianças fundamentais, as grandes
crinaças vigiadoras -
cantando, pensando, dormindo loucamente.
Não há laranjas ou brasas ou facas iluminadas
que a vinganças não afaste.
As crianças invasoras percorrem
os nomes - enchem de uma fria
loucura inteligente
as raízes e as folhas da garganta.
Aprendemos com elas os corredores do ar,
a iluminação, o mistério
da carne. Partem depois, sangrentas,
inomináveis. Partem de noite
noite - extremas e únicas.
- E nada mais somos do que o Poema onde as crianças
se distanciam loucamente.
Loucamente.
HERBERTO HELDER
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
pequena INFORMAÇÃO
A pedido de alguns curiosos, aqui ficam os links para os meus poemas que foram publicados na revista cultural Praça Velha, n.º 24:
No Tempo do Colégio (dedicado ao Marco José Lobão Paula)
É Permitido Fumar neste Poema
Não Poderei Nunca Dizer o Teu Nome
O Beijo
Prisioneiro
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
DIA 31 NO GATO VADIO*
Ver mapa maior
Aqui têm o mapa da localização do Gato Vadio, onde poderão assistir à apresentação do MAPA, dia 31 de Janeiro, às 17h. Apresentação a cargo de Rui Lage.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
SOBRE O AMOR
Ao perder-te a ti perdemos os dois:
eu porque tu eras o que eu mais amava
e tu porque eu era quem mais te amava.
Mas de nós dois és tu quem mais perde,
porque eu poderei amar outras como te amava a ti
mas a ti não hão-de amar como eu te amava.
Nas minhas vagabundas deambulações pela internet encontrei as palavras acima transcritas, de Ernesto Cardenal (sou muito céptico em relação à atribuição dos textos aos seus autores, na internet; se alguém tiver informação fidedigna, não hesite em partilhá-la). As razões de publicar aqui este pequeno texto (poema?, epigrama?) são duas: primeiro, porque sendo o amor impossível de mensurar, impossível é dizer a outra pessoa que somos a pessoa que mais a ama (o contrário, embora sendo subjectivo, é possível); segundo, fossem as palavras acima sinceras, não diria com sinceridade que poderia voltar a amar outra...
sábado, 22 de novembro de 2008
MAPA - manuel a. domingos
Só falta enviar o comprovativo da transferência bancária... Entretanto, atrevo-me a deixar aqui um dos muitos poemas que podem encontar nesta obra, com o título Guarda, e o subtítulo por volta de 1994
em cada rua o frio
tem um nome diferente.
nós permanecemos no café
com o nome de
um franchising qualquer,
alheios ao amarelo
berrante das paredes.
é aqui, por entre cigarros,
cerveja e um arroto
envergonhado, que lemos
os versos de um poeta
maldito francês: esses que
nos aquecem a vontade
de um dia também fumar
haxixe. e há ainda os filósofos
do desespero: Kierkegaard,
Nietzsche e Camus.
Mas nem Kierkegaard
nem Nietzsche nem
Camus nos avisam que
a sua leitura irá para sempre
mudar a nossa vida. nem o poeta
maldito francês explica
que os seus versos
não devem ser lidos
numa cidade onde
a sua catedral atravessa
o silêncio e o frio tem um nome
diferente em cada rua.
Claro que, como ainda não tenho o livro, e apenas conheço alguns dos poemas, não vos posso dizer qual é o poeta maldito francês... Eles são tantos, os poetas malditos, embora menos que os poetas franceses...
terça-feira, 4 de novembro de 2008
ADEGA 13*
1. A. afasta B. por causa de características (falsas) que atribui a B.
2. Depois de ter sido afastado, B. exibe de facto essas características.
3. B. considera essas características efeitos da decisão de A.
4. A. diz a toda a gente: «vêem como eu tinha razão»?
Pedro Mexia, in Estado Civil.
*Vão ver os meus amigos ao Palácio do Gelo, especialmente se gostam de hip-hop (foi um soluço, enquanto escrevia a linha anterior); o texto acima, como referido, é do Pedro Mexia. E nada tem que ver com a publicidade gratuita do restante post: ou melhor, tem tudo a ver, mas a relação entre uma (imagem) e outro (texto) só pode ser explicada (e entendida) através da exposição pública de mecanismos sub-conscientes (e portanto freudianos), que não me apraz partilhar (perdoem-me!) convosco, meus fiéis leitores. Passem em Viseu, parem no Bóquinhas (é assim que se escreve, TrËk?), bebam uma garrafa de cerveja (de litro) ou uma jerupiga (nunca me entendi com esta palavra, é da dislexia!), discutam poesia e romance (utra-light incluído, é tudo muito eclético!), e terminem a estadia em grande ouvindo os membros (elementos?) da Adega 13. Atenção: alguns deles trabalham! (é uma tentativa de private-joke, não sei se resultou!?)
about
amigos,
amizade,
blogosfera,
devaneio,
Hip Hop,
literatura,
música,
Pedro Mexia,
poesia,
Publicidade,
questões existenciais,
TrËk
sábado, 4 de outubro de 2008
noite
A noite,
- Como ela vinha!
Morna, suave,
Muito branca, aos tropeções,
Já sobre as coisas descia,
E eu nos teus braços deitado
Até sonhei que morria
E via -
Goivos e cravos aos molhos;
Um Cristo crucificado;
Nos teus olhos,
Suavidade e frieza;
Damasco roxo puído,
Mãos esquálidas rasgando
Os bordões de uma guitarra.
Penumbra, velas ardendo,
Incenso, oiro - tristeza!...
E eu, devagar, morrendo...
O teu rosto moreninho
- Tão formoso!
Mostrava-se mais sereno,
E sem lágrimas, enxuto;
Só o teu corpo delgado,
O teu corpo gracioso,
Se envolvia todo em luto.
Depois, ansiosamente,
Procurei a tua boca,
A tua boca sadia;
Beijámo-nos doidamente...
- Era dia!
E os nossos corpos unidos
Como corpos sem sentidos,
No chão rolaram, e assim ficaram!
Pintura de Eric Fischl,
Poema de António Botto.
domingo, 14 de setembro de 2008
PRISIONEIRO...
Todos os dias morres
mais uma vez. Acordas
e não te consegues
levantar. Não sabes
quantos dias passaram,
embora os tenhas contados,
que diferença faz?
De cada vez que fechas
os olhos, vês outra vez
como se fosse agora,
neste preciso momento,
ou ainda não tivesse
acontecido. Sentes
uma pequena esperança
eclodir no peito, uma flor,
um sorriso que se abre -
um eco de felicidade -
por instantes parece
que tudo pode mudar,
e seres feliz. Acordas,
e todos os dias morres
mais uma vez.
mais uma vez. Acordas
e não te consegues
levantar. Não sabes
quantos dias passaram,
embora os tenhas contados,
que diferença faz?
De cada vez que fechas
os olhos, vês outra vez
como se fosse agora,
neste preciso momento,
ou ainda não tivesse
acontecido. Sentes
uma pequena esperança
eclodir no peito, uma flor,
um sorriso que se abre -
um eco de felicidade -
por instantes parece
que tudo pode mudar,
e seres feliz. Acordas,
e todos os dias morres
mais uma vez.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
PERDIDOS...
só sei que hoje não
estás onde deverias estar.
e por isso,
também eu estou no sítio errado.
Texto: Fernando Pessoa, inblog O Blog dos 5 Pês.
Imagem: Caminho com Choupos, de Vicent Van Gogh.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
sábado, 16 de agosto de 2008
UM MAL NUNCA VEM SÓ...
Quando alguma tristeza, angústia, desilusão, ou mágoa me toca, refugio-me nos meus poetas dilectos; quem por aqui vai passando, terá já tido a oportunidade de notar que muitas vezes vou deixando pequenos poemas, ou excertos, desses poetas. Entre eles, três se destacam na categoria daqueles que têm o dom de aliviar o sofrimento: Álvaro de Campos, Sophia de Mello Breyner Andresen, e António Botto.
Ontem senti a necessidade de pegar na minha velhinha edição de "Canções" de António Botto, mas por mais voltas que dê às caóticas estantes que adornam as paredes do meu quarto, não sei onde é que o livro de capa dura, com pele castanho-avermelhada, foi parar... Um mal nunca vem só...
sexta-feira, 25 de julho de 2008
PIRATA*
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Sophia de Mello Breyner Andresen, na antologia Mar (Caminho, 6.ª edição, Janeiro de 2006, p.47)
*O título "Pirata" é da autora.
Imagem daqui.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
domingo, 13 de julho de 2008
OS VENCIDOS*
Com a estrondosa música venho, com as minhas cornetas e tambores,
Não só toco marchas para os vencedores aclamados, também as toco para os conquistados e abatidos.
Ouviste dizer que foi bom vencer?
Também te digo que é bom perder, as batalhas perdem-se com o mesmo espírito com que se ganham.
Toco e volto a tocar pelos mortos,
Sopro por eles a minha mais alta e alegre melodia.
Vivas pelos vencidos!
E por aqueles cujos vasos de guerra se afundaram no mar!
E pelos náufragos também!
E por todos os generais que perderam e por todos os vencidos heróis!
E pelos inumeráveis heróis desconhecidos iguais aos maiores heróis conhecidos!
Walt Whitman (Song of Myself, tradução de José Agostinho Baptista).
*O meu melhor amigo fazia anos hoje, dia 13. O meu melhor amigo, que nasceu numa sexta-feira, 13, está morto há 11 anos. Malfadado dia ess(t)e. O MDA também faz anos hoje, mas não nasceu numa sexta-feira, 13.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
RELÂMPAGO*
Rasguei-me como um raio rasga o céu.
Iluminei-me todo de repente.
Negrura permanente
De noite enfeitiçada,
Quis ver-me com pupilas de vidente,
E arrombei os portões à madrugada.
Mas nada vi. Caverna de pavores,
Só com tempo e vagar eu poderia
Encarar,
Castigar
E perdoar
Tanta abominação que em mim havia.
*Miguel Torga, in. Orfeu Rebelde (edição de autor).
Iluminei-me todo de repente.
Negrura permanente
De noite enfeitiçada,
Quis ver-me com pupilas de vidente,
E arrombei os portões à madrugada.
Mas nada vi. Caverna de pavores,
Só com tempo e vagar eu poderia
Encarar,
Castigar
E perdoar
Tanta abominação que em mim havia.
*Miguel Torga, in. Orfeu Rebelde (edição de autor).
À falta de tempo e disposição para aqui publicar o que quer que seja - deve ser da pré-depressão, depressão, e pós-depressão, de mais um aniversário da minha morte... um brinde a este cadáver que se arrasta pelas veredas pedregosas da vida, e se alimenta do pó dos dias...
segunda-feira, 7 de julho de 2008
MAPA #2
Pode ser comprado aqui o livro MAPA de manuel a. domingos. Dos muitos poemas (pré-)publicados na blogosfera (no 1979; no dias felizes; no bicho do mato na cidade; no Insónia; n'O Vermelho e o Negro; e no Bibliotecário de Babel), escolhi um deste último para deixar aqui. Intitula-se LONDRES:
nunca cheguei a escrever um poema sobre
a cidade ser à noite um carrossel
de luzes. nem outro sobre
a fotografia onde fiquei com ar
envergonhado. ou sobre o frio e
o passeio por Hyde Park, onde
pássaros vieram comer às tuas mãos
e eu deixei fugir alguns versos
só para te poder fotografar. ou sobre
a casa estilo vitoriano, que prometeu
ocultar todas as palavras que dissemos
um ao outro, quando ao deitar
nos encolhíamos debaixo de
vários cobertores e mesmo assim
tínhamos frio. ou o definitivo,
aquele que falaria sobre Greenwich
e o meridiano que me ensinou a importância
do tempo que sempre falta, principalmente
quando numa das pontes quis dizer amo-te,
mas havia um autocarro para
apanhar. e era já o último.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
POR FALAR EM MANUELA FERREIRA LEITE, OU N'OUTRA COISA QUALQUER...*
E quanto a ti, Morte, e a ti, amargo abraço da mortalidade, é inútil tentarem alarmar-me.
O parteiro acorre ao seu trabalho sem demora,
Vejo a mão pressionando, recebendo, sustendo,
Reclino-me nos umbrais das delicadas portas flexíveis,
E observo a saída, e observo o alívio e a libertação.
E quanto a ti, Cadáver, penso que és bom adubo mas isso não me ofende,
Aspiro o doce perfume das rosas brancas crescendo,
Toco as folhas como lábios, toco o peito lustroso dos melões.
E quanto a ti, Vida, reconheço que és o resíduo de muitas mortes,
(Não duvido que eu próprio já morri dez mil vezes).
Escuto o vosso murmúrio, oh estrelas do Céu,
Oh sóis, oh erva dos túmulos, oh perpétuas transferências e promoções,
Se não dizeis nada que poderei eu dizer?
Do turvo charco na floresta do Outono,
Da lua que desce os precipícios do crepúsculo sussurante,
Caí, centelhas do dia e do acaso, caí sobre as hastes negras que apodrecem no estrume,
Caí sobre o lamento incoerente dos ossos secos.
Levanto-me da lua, levanto-me da noite,
Percebo que a luz débil é o reflexo do meio-dia,
E desemboco no que é firme e central desde o rebento grande ou pequeno.
Walt Whitman (Song of Myself, tradução de José Agostinho Baptista).
O parteiro acorre ao seu trabalho sem demora,
Vejo a mão pressionando, recebendo, sustendo,
Reclino-me nos umbrais das delicadas portas flexíveis,
E observo a saída, e observo o alívio e a libertação.
E quanto a ti, Cadáver, penso que és bom adubo mas isso não me ofende,
Aspiro o doce perfume das rosas brancas crescendo,
Toco as folhas como lábios, toco o peito lustroso dos melões.
E quanto a ti, Vida, reconheço que és o resíduo de muitas mortes,
(Não duvido que eu próprio já morri dez mil vezes).
Escuto o vosso murmúrio, oh estrelas do Céu,
Oh sóis, oh erva dos túmulos, oh perpétuas transferências e promoções,
Se não dizeis nada que poderei eu dizer?
Do turvo charco na floresta do Outono,
Da lua que desce os precipícios do crepúsculo sussurante,
Caí, centelhas do dia e do acaso, caí sobre as hastes negras que apodrecem no estrume,
Caí sobre o lamento incoerente dos ossos secos.
Levanto-me da lua, levanto-me da noite,
Percebo que a luz débil é o reflexo do meio-dia,
E desemboco no que é firme e central desde o rebento grande ou pequeno.
Walt Whitman (Song of Myself, tradução de José Agostinho Baptista).
*A este propósito podem ler André Moura e Cunha, Eduardo Pitta, Max Spencer-Dohner, Sara Cacao, ILGA (notícia Público), Special K, Pedro Vieira, Henrique Fialho, Miguel Abrantes, Paulo, TUSB, Gritos Mudos, Natcho Popcorn, etc...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
MAPA manuel a. domingos
Desde os cafés da Guarda, nos anos adolescentes, onde tudo era ainda possível, até a um certo desencanto com o mundo, manuel a. domingos constrói uma poética feita de pequenos detalhes comuns à vida e à poesia, tentando descobrir modos de acreditar em mapas que nos soam tão estrangeiros.
domingo, 15 de junho de 2008
Gosto do céu porque não creio que elle seja infinito. Que pode ter comigo o que não começa nem acaba? Não creio no infinito, não creio na eternidade. Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba E que agora e antes d'isso há absolutamente nada. Creio que o tempo tem um princípio e tem um fim, E que antes e depois d'isso não havia tempo. Porque há-se ser isto falso? Falso é fallar de infinitos Como se soubéssemos o que são de os podermos entender. Não: tudo é um quantidade de cousas. Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.Poema inédito de Alberto Caeiro, não datado; transcrito por Jerónimo Pizarro. Publicado p'lo Público na edição de 13/06/2008, no dia dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
SEXTA-FEIRA, 13*

Se hás-de ser o que choras Ter que ser, não o chores. Se toda a mole imensa Do mundo ser-te-á noite, Aproveita este breve Dia, e sem choro ou cura Goza-o, contente por viveres O pouco que te é dado.Ricardo Reis, in. Poesia (p. 149, edição da Assírio & Alvim) - Celebra-se hoje o 120º aniversário do nascimento de Fernando António Nogueira Pessoa. O Público anda há uns dias a anunciar a publicação para hoje de um inédito de Alberto Caeiro - talvez um que foi "encontrado" na Casa Fernando Pessoa aquando da digitalização da biblioteca do poeta - irei logo de manhã a comprar o jornal - há vícios mais fortes que nós... quase como superstições, o que vem mesmo a calhar, nesta sexta-feira, 13. Já sabem como funciona, quem por aqui passar e for embora sem comentar, muitas lágrimas há-de chorar... Para aquel@s que não sabem, não é por acaso que o segundo nome do Fernando é António... Bom feriado, para quem tem feriado... [a imagem veio daqui]
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