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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O SILÊNCIO ENSURDECEDOR


Ao silêncio ensurdecedor daqueles que se calam, daqueles que temem, dos cobardes, que - como dizia William Shakespeare - morrem muitas vezes antes de morrer, temos o dever de responder com um grito, um berro a plenos pulmões. 

Porque o silêncio é complacente com as injustiças, as intrigas, a mediocridade. Porque os cobardes vivem da maledicência, da intriga, do atemorizar dos fracos, devemos ser firmes e fortes perante eles. Porque os cobardes são fortes com os fracos, fracos com os fortes.

Pior que um energúmeno utilizar o seu pequeno poder, escudado de torpes lacaios, legitimado por caciques e indiferença, na Assembleia Municipal, de uma capital de distrito, de um país que se auto-denomina democrático, para denegrir e enxovalhar um cidadão - pior que isso é a complacência e o silêncio da grande maioria dos restantes deputados municipais.

Pode parecer surreal, pode parecer um história saída de um romance do realismo fantástico sul-americano, mas é real, e está a acontecer na Assembleia Municipal da Guarda.

Imagem: retrato de Américo Rodrigues (director artístico e financeiro do Teatro Municipal da Guarda), feito por Alexandre Gamelas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

QUAL O LIVRO MAIS IMPORTANTE DA TUA VIDA? #7



“Só” de António Nobre, foi a selecção de Manuel Poppe; “Páginas (VI)” de Ruben A, escolhido por Maria Alcina Rodrigues; e Rogério Pires elegeu “O Rei Lear” de William Shakespeare. (Mais informações aqui).

sexta-feira, 27 de março de 2009

O MUNDO INTEIRO É UM PALCO - 27 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DO TEATRO

O mundo inteiro é um palco.
Todos os homens e mulheres não passam de actores,
Têm as suas entradas e saídas;
E na sua vida um homem desempenha muitos papéis;
Os seus actos têm sete idades.
Primeiro, a criança,
Gritando e babando nos braços da ama.
Depois o escolar chorão, com a sua pasta.
E a sua brilhante face matinal, vai rastejando como um caracol
De má vontade para a escola. E depois o apaixonado
Suspirando como uma fornalha, com uma balada triste
Composta para a sobrancelha da sua namorada. Mais tarde um soldado,
Cheio de estranhos juramentos, e barbado como um leopardo,
Zeloso da honra, e violento e rápido na luta,
Buscando a bolha de ar que é a fama.
Até na boca do canhão. E depois a vez do juiz,
Com a sua barriga redonda recheada com um bom capão,
De olhos severos e barba de corte formal,
Cheio de sábios refrões e exemplos modernos,
E assim representa o seu papel. A sexta idade se transforma
Em calças longas e chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa de lado,
Seus calções da juventude, bem conservados, demasiadamente largos
Para suas magras canelas; e a sua forte voz viril,
Transformando-se novamente em falsetes infantis, apita
E assobia o seu som. A última cena de todas,
Que põe fim a esta estranha história cheia de acontecimentos,
É uma segunda infância e um simples esquecimento,
Sem dentes, sem olhos, sem paladar, sem nada.

William Shakespeare, In As You Like It

domingo, 27 de abril de 2008

O TEMPO

red rose rosa vermelha flower flor jardim amor tempoA Internet é actualmente um meio indispensável de comunicação, difusão de informação e conhecimento, socialização, eu sei lá!, é biblioteca e café, estádio de futebol e sala de aula, praia e escritório num só lugar. Mas é também o lugar onde se criam mentiras, ilusões, se difundem boatos e desinformação. O maior dos problemas, neste contexto de desinformação, talvez seja o da atribuição da autoria de um conteúdo (desde texto a imagem, passando pelo vídeo; desde uma fotografia a um quadro, etc.) ao seu real autor. Aqui deixo um exemplo: se procurarem num motor de busca o poema que a seguir publico, a mais das vezes aparecer-vos-à atribuído a esse prolífico autor chamado Desconhecido; menos vezes garantir-vos-ão que afinal foi o Anónimo quem escreveu; outros hão-de reclamar para William Shakespeare a autoria; haverá mesmo aqueles que dirão ter sido eles próprios (numa noite de ébria inspiração) a escrever. Pelas minhas investigações, o verdadeiro autor terá sido Henry Van Dyke (1852-1933), diplomata, escritor, e pastor Americano, mas não posso garantir nada: O Tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que têm medo. Muito longo para os que lamentam. Muito curto para os que festejam Mas para os que amam o tempo é eternidade. O original: Time is Too Slow for those who Wait, Too Swift for those who Fear, Too Long for those who Grieve, Too Short for those who Rejoice; But for those who Love, Time is not. O último verso ("Time is not") provavelmente será "Time is eternity"... Se quiserem ler obras do autor, em inglês, estão disponíveis no site brasileiro Domínio Público; não se preocupem, que os direitos de autor já são públicos, não estão a cometer nenhuma ilegalidade... Post-Scriptum: Obviamente, não sei quem seja o autor ou a autora da fotografia! (Notem que não é o mesmo que dizer que o autor é Anónimo ou Desconhecido; dizer que é Anónimo ou Desconhecido, significa que ninguém sabe quem é o autor ou a autora da obra; dizer que não faço a mínima ideia quem seja o autor ou a autora, mostra apenas o meu desconhecimento!)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

ser ou não ser?

Philippe Halsman Salvador Dali pintura fotografia caveiraSer ou não ser - eis a questão; será maior nobreza da alma sofrer a funda e as flechas da fortuna ultrajante ou pegar em armas contra um mar de infortúnios opondo-lhes um fim? Morrer, dormir... nada mais... É belo como dizer que pomos fim ao desgosto e aos mil males naturais que são a herança da carne. É esse um fim a desejar ardentemente. Morrer, dormir... dormir... e talvez aonhar. Sim, eis o espinho! Pois que sonhos podem vir desse sono da morte, depois de libertos do tumulto da vida? Eis o que deve deter-nos. Eis a consideração que nos traz a calamidade duma tão longa vida. Pois quem suportaria as chicotadas e mofas do mundo, a tirania do opressor, a insolência do orgulhoso, as dores do amor desprezado, as delongas da lei, a arrogância do poder, o desdém que o mérito paciente recebe dos indignos, quando podia buscar a própria quietude com um simples estilete? Quem suportaria tais fardos, protestando e suando numa vida dura, se não fosse o receio de qualquer coisa após a morte, dessa região não descoberta e de cuja fronteira nenhum viajante regressa, não lhe quebranta a vontade e faz que antes queira sofrer os males da Terra que voar para outros de que nada se sabe? Assim a consciência faz de nós uns covardes; assim a cor primitiva da resolução descora perante a pálida luz do pensamento e empreendimentos de grande porte e importância desviam a sua rota e perdem o nome de acção.  

William Shakespeare, in Hamlet (fala de Hamlet; tradução livre de Ersílio Cardoso)

 Imagem: fotografia de Philippe Halsman, intitulada in voluptas mors (1951), realizada a partir de um desenho de Salvador Dalí.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Lamego

Lamego Nossa Senhora dos Remédios Fotografia
Uma fotografia da Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego.

Não, não pensem que agora de repente me converti. A minha religiosidade é tão pequena como a temperatura 0ºF. De Lamego, tenho muitas fotografias, mas esta retirei-a da internet e andava perdida na minha pasta de imagens diversas. Lastimavelmente nem sequer posso aqui citar a autoria da mesma. Se a pessoa que a tirou, por alguma arte mágica, conseguir dizer que é sua, que mo comunique - tantas são as fotografias semelhantes, para não dizer iguais, a esta que há pela internet.

Agora que a minha série de posts os náufragos está a chegar ao fim, pensei deixar aqui este pequeno registo sobre Lamego. Quem seguiu atentamente esta série saberá que a mesma foi iniciada devido a alguém que repetidamente vem parar a este blog procurando no google "andré benjamim + lamego".

Não sei o que a dita pessoa procura. Ou antes, sei. Mas quem faz a procura não pode saber o que procura. Porque só há neste mundo - pela religiosidade do local, coloquemos a ínfima hipótese que há outro mundo, o grau 1º F da religiosidade, portanto - dizia, só há neste mundo, além de mim mesmo, uma pessoa que saberia o que procurar. E essa pessoa não precisaria de procurar nada, porque essa pessoa já sabe tudo. Anteontem, uma vez mais, quem quer que seja, voltou a insistir na busca. Haja quem, como eu, não tenha mais que fazer! Basta enviar-me um e-mail - e eu respondo às intrigas da pessoa. Mas tem que me dizer o primeiro IP donde fez a busca, não vá outra pessoa querer saber mais que aquilo que eu quero contar...

Então, é assim: De Lamego tenho muitas, imensas fotografias. Um monte delas, com mais de quinze centímetros de altura. E já dei ou deitei fora a maioria delas. As que ainda tenho acabarão eventualmente por ter o mesmo destino. Em Lamego passei alguns - poucos e foram muitos - dias da minha vida. Todos inúteis e perdidos - sofridos. A Lamego continuo a ir, de quando em quando. Como quem vai a um cemitério e chora algumas lágrimas sobre uma lápide. Na lápide, não há nenhuma inscrição. Prefiro deixá-la em branco. Se houvesse, talvez fosse assim: Os amigos nunca se separam. Em homenagem à pessoa morta. Como qualquer lápide, seria mais uma mentira ou um desejo sem possível correspondência com a vida. E ainda assim a mais verdadeira. E ainda assim tão longe da verdade.

Se acham estes meus posts incompreensíveis, então leiam uma tragédia qualquer, sobre a perfídia. Otelo de William Shakespeare, à falta de mais adequada, serve.

Post-Scriptum: Aconselho a curiosa pessoa a ler antes estes blogs: Lamego em Foco; Sporting Clube de Lamego; e Diabos de Lamego.


Post-Scriptum 2: A frase Os amigos nunca se separam chegou-me às mãos há precisamente 9 anos. Vinha escrita num postal bonito com tons de azul. E eu acreditei, mas eu acreditava sempre! Não porque estivesse convencido, mas porque ia sendo vencido aos poucos, até que a derrota foi total - fatal. Mas eu sabia - tinha a triste certeza - que era mentira...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O Que Me Dói

Beggar Bartolomé Esteban Murillo Spanish painter baroque boy child rapaz criança pintura O Pedinte
O que me dói são os silêncios nas horas pardas as solidões profundas pelos segundos acossadas as ausências, as memórias e os nadas. O que me dói são as alegrias de todas as chegadas e as pulsações descompassadas, esvaídas em idas alvoradas. O que me dói são praias de areia fina embrumadas e as afeições parafinadas e as ausências e as memórias e os nadas.
Luis Eusébio, no blog Porto Croft. Imagem: O Pedinte, de Bartolomé Esteban Murillo (1617 -1682) - Pintor Espanhol, nascido em Sevilha. Para saber mais, leia o artigo wikipédia. Tomei conhecimento do poema, e do blog, através do blog Cãocompulgas que, apercebi-me agora, voltou ao activo; eu bem sabia que havia alguma razão para não o apagar da minha lista de blinks - ora, pouco depois de o ter apagado, constato que voltou ao activo... Já vou tratar disso... O Porto Croft têm na descrição estas palavras de William Shakespeare: Cowards die many times before their deaths, the valiant never taste of death but once. (Os cobardes morrem muitas vezes antes de morrerem, os corajosos apenas provam a morte uma vez.) Tenho que reler o William; e tenho que ler o que ainda não li - o pior é o preço dos livros; mas pior ainda são as edições que apenas têm o texto em Português; será que as editoras não compreendem que há autores em que é indispensável que a edição seja bilíngue?!

sábado, 8 de setembro de 2007

to read or not to read*

Ulysses também não mudou a minha vida (#1, #2, #3, #4). Li Retrato do Artista Quando Jovem e Gente de Dublin (o título original sempre me soou mais interessante: Dubliners), mas quanto ao Ulysses, nunca coincidiu a minha disponibilidade financeira ir ao seu encontro... Além disso, detesto bibliotecas e as suas burocracias. Se alguém mo quiser oferecer, prometo lê-lo em menos que uma semana. E a minha vida mudará certamente: fico sempre feliz da vida quando me oferecem um livro!, por pior que ele seja, dá-me alguns segundos de felicidade, mesmo que não passe das primeiras páginas. Mesmo que vá para a minha estante, ou secretária, ou mesa-de-cabeceira, e fique por lá esquecido... Mas, se quiserem mudar a minha vida um pouco mais (digamos, mudá-la a multiplicar por sete), então Em Busca do Tempo Perdido é o indicado! Por fim, se quiserem deixo a lista dos livros de Shakespeare que ainda não li, e no próximo verão prometo lê-los! *Confissão literária.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Geoffrey Chaucer*

Geoffrey Chaucer, poeta inglês, nasceu em Londres, cerca de 1340, na burguesia da época. O pai era comerciante de vinhos, e julga-se que lhe terá dado uma educação previligiada. O pouco que se sabe da sua vida, conhece-se através de documentos oficiais da corte dos reis Eduardo III e Ricardo II, que registam os seus movimentos e cargos, enquanto membro destas cortes. Em virtude do seu casamento com uma das damas de honra da rainha, ficou em contacto directo com a corte, o que lhe permitiu que realizasse diversas viagens de carácter diplomático pela Europa, entre 1370 e 1378. A arte e literatura italiana marcaram-no profundamente, tendo conhecido, aquando das suas viagens, a obra de Dante, Petrarca e Boccaccio. Após este peródo de viagens, regressou a Inglaterra, onde ocupou diversos cargos oficiais, como o de inspector das alfândegas de Londres. Foi responsável de palácios e parques reais, e residiu ainda em Kent, onde foi parlamentar. Os seus últimos dias foram passados numa casa próxima da abadia de Westminster, onde foi enterrado, ao falecer, em 1400. A sua obra reflecte um período de transiçãao da Idade Média para o Renascimento. As principais obras são: Contos da Cantuária, Tróilo e Criseida, A Cortesia do Amor e O Parlamento das Aves. A sua obra mais conhecida, Contos da Cantuária, retrata a sociedade medieval inglesa. Foi escrita entre 1380 e 1390. Os contos são narrados através de trinta peregrinos de diversos estratos sociais, que se encontram reunidos na pousada do "Tabard de Southwark", onde repousam, a caminho da tumba de Tomas Beckett, em Canterbury. A cada peregrino é proposto que relate um conto aos companheiros, de modo a amenizar a jornada... Considerada a obra-prima de Geoffrey Chaucer, Contos da Cantuária marca o início do domínio do inglês escrito sobre o latim e o anglo-normando, facto que leva a que muitos considerem Chaucer o pai da literatura inglesa. Chaucer é ainda considerado, juntamente com William Shakespeare, um dos poetas mais representativos e brilhantes da literatura britânica. Imagem retirada do artigo da Wikipédia sobre Geoffrey Chaucer, que podem consultar, em inglês (mais completo) ou em português. *A ideia deste post surgiu, após diversos internautas terem vindo parar ao blog, procurando contos de Geoffrey Chaucer.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

As You Like It

O mundo inteiro é um palco.
Todos os homens e mulheres não passam de actores,
Têm as suas entradas e saídas;
E na sua vida um homem desempenha muitos papéis;
Os seus actos têm sete idades.
Primeiro, a criança,
Gritando e babando nos braços da ama.
Depois o escolar chorão, com a sua pasta.
E a sua brilhante face matinal, vai rastejando como um caracol
De má vontade para a escola. E depois o apaixonado
Suspirando como uma fornalha, com uma balada triste
Composta para a sobrancelha da sua namorada. Mais tarde um soldado,
Cheio de estranhos juramentos, e barbado como um leopardo,
Zeloso da honra, e violento e rápido na luta,
Buscando a bolha de ar que é a fama.
Até na boca do canhaão. E depois a vez do juiz,
Com a sua barriga redonda recheada com um bom capão,
De olhos severos e barba de corte formal,
Cheio de sábios refrões e exemplos modernos,
E assim representa o seu papel. A sexta idade se transforma
Em calças longas e chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa de lado,
Seus calções da juventude, bem conservados, demasiadamente largos
Para suas magras canelas; e a sua forte voz viril,
Transformando-se novamente em falsetes infantis, apita
E assobia o seu som. A última cena de todas,
Que põe fim a esta estranha história cheia de acontecimentos,
É uma segunda infância e um simples esquecimento,
Sem dentes, sem olhos, sem paladar, sem nada.



WILLIAM SHAKESPEARE

terça-feira, 27 de março de 2007

dia mundial do teatro

HORATIO - Is it a custom?

HAMLET - Ay, marry, is't. But to my mind, though I am native here And to the manner born, it is a custom More honoured in the breach than the observence. This heavy-headed revel east and west Make us traduced and taxed of other nations. They clepe us drunkards and with swinish phrase Soil our addition; and indeed it takes From our achievements, though performed at height, The pith and marrow of our attribute. So oft it chances in particular men That - for some vicious mole of nature in them, As in their birth, wherein they are not guilty, Since nature cannot choose his origine - By the o'ergrowth of some complexion, Oft breaking down the pales and forts of reason, Or by some habit that too much o'er-leavens The form of plausive manners - that these men, Carrying, I say, the stamp of one defect, Being nature's livery or fortune's star, His virtues else, be they as pure as grace, As infinite as man may undergo, Shall in the general censure take corporation From that particular fault. The dram of evil Doth all the noble substance of a doubt, To his own scandal - Enter the Ghost

HORATIO - Look, my lord, it comes.  

Horácio - Isso é costume?

Hamlet - Ah, pela Virgem que o é! Mas no meu entendimento, embora fosse aqui nado e criado, é um costume que mais honra desrespeitar que praticar. Estas bacanais estúpidas fazem com que as outras nações do Ocidente como do Oriente nos acusem e critiquem. Tratam-nos de bêbedos e sujam o nosso nome com o epíteto de porcos; e, de facto, essa fama basta para empanar o lustro dos nossos feitos, por mais brilhantes que sejam. Assim acontece por vezes a certos homens, que têm algum defeito de nascença de que não são culpados, pois ninguém pode escolher a sua origem ou nasceram com algum gosto estranho que muitas vezes deita por terra a cerca fortificada da razão, nesses um só defeito chega para ofuscar as mais apreciáveis qualidades e de nada lhe servirão essas outras virtudes, por mais puras, e tão grandes quanto o permite a condição humana, pois o conceito geral tudo esquecerá, menos o pequeno defeito. Um só grão de impureza corromperá a mais pura substância com o seu contacto infamante...
Entra o Espectro

 Horácio - Olhe, meu senhor, aí vem ele.  

WILLIAM SHAKESPEARE, In. Hamlet (Tradução livre de Ersílio Cardoso)