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quinta-feira, 23 de abril de 2009

LIVROS - DIA MUNDIAL DO LIVRO

Amigos, conhecidos, e afins, que entram no meu quarto, perguntam-me, por estas ou por outras palavras, se já li todos os livros que entopem as estantes encostadas às paredes; quando lhes respondo que ainda não li mais de metade dos livros que ali tenho, perguntam-me porque é que continuo a comprar livros, se tenho tantos livros por ler... É neste ponto que, sem saberem, roçam o âmago da questão sem, contudo, lhe tocarem. É que na verdade, não são livros por ler que tenho no meu quarto: são livros para ler! Apenas não tiveram ainda o seu momento, a sua oportunidade, a sua hora! Eu não compro, nunca hei-de comprar, livros por ler; compro livros para ler! Talvez eu nunca venha a ter o momento, a oportunidade, a hora de os ler... Talvez... Talvez um dia alguém, que não eu, os venha a ler, talvez.. Porque os livros são para isso, para ler!



Imagem retirada do Blog o silêncio dos livros: Philippe Halsman [ Jean Cocteau ] 1948

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

ser ou não ser?

Philippe Halsman Salvador Dali pintura fotografia caveiraSer ou não ser - eis a questão; será maior nobreza da alma sofrer a funda e as flechas da fortuna ultrajante ou pegar em armas contra um mar de infortúnios opondo-lhes um fim? Morrer, dormir... nada mais... É belo como dizer que pomos fim ao desgosto e aos mil males naturais que são a herança da carne. É esse um fim a desejar ardentemente. Morrer, dormir... dormir... e talvez aonhar. Sim, eis o espinho! Pois que sonhos podem vir desse sono da morte, depois de libertos do tumulto da vida? Eis o que deve deter-nos. Eis a consideração que nos traz a calamidade duma tão longa vida. Pois quem suportaria as chicotadas e mofas do mundo, a tirania do opressor, a insolência do orgulhoso, as dores do amor desprezado, as delongas da lei, a arrogância do poder, o desdém que o mérito paciente recebe dos indignos, quando podia buscar a própria quietude com um simples estilete? Quem suportaria tais fardos, protestando e suando numa vida dura, se não fosse o receio de qualquer coisa após a morte, dessa região não descoberta e de cuja fronteira nenhum viajante regressa, não lhe quebranta a vontade e faz que antes queira sofrer os males da Terra que voar para outros de que nada se sabe? Assim a consciência faz de nós uns covardes; assim a cor primitiva da resolução descora perante a pálida luz do pensamento e empreendimentos de grande porte e importância desviam a sua rota e perdem o nome de acção.  

William Shakespeare, in Hamlet (fala de Hamlet; tradução livre de Ersílio Cardoso)

 Imagem: fotografia de Philippe Halsman, intitulada in voluptas mors (1951), realizada a partir de um desenho de Salvador Dalí.