Ontem, Dia Mundial da Poesia, não tive tempo para aqui vos deixar um poema; estive, como vos publicitei, no Teatro Municipal da Guarda a celebrar este dia. Seleccionar um poema para assinalar esta data, convenhamos, é como escolher um grão de areia na praia. Aqueles que li na ocasião escolheram-me para sier lidos por entre o caos e o esplendor de milhares de páginas que levei comigo: não estive pelos ajustes: como não tinha tempo para planear, peguei simplesmente nos livros de poesia, dos autores que mais gosto, que estavam mais à-mão, e enfiei-os numa caixa e numa mochila e carreguei-os até ao Café Concerto do Teatro. Foi assim que por entre os muitos que li, este veio ter comigo:
Dizem que não nos queremos,
Disseram -
Até com certa ironia
Que quando nos encontramos
Há neve no outro dia.
Como essa gente se engana,
Como essa gente mesquinha
Me diverte e me dá pena!
- Não nos vêem conversar,
Ninguém nos viu de mãos dadas
Nem sabem que nos beijamos;
- Como essa gente se engana
Acerca do que pensamos!
Dizem que não nos queremos
Por um motivo qualquer:
-Só no nosso coração
Poderia responder:
Poderia - mas não quer.
António Botto, in. Cancões. No ano em que passaram 50 anos após a morte de António Botto, não podia faltar um poema dele. Sobre António Botto aproveito para partilhar um texto de Francisco José Viegas, lido no blog Da Literatura:
Dizem que não nos queremos,
Disseram -
Até com certa ironia
Que quando nos encontramos
Há neve no outro dia.
Como essa gente se engana,
Como essa gente mesquinha
Me diverte e me dá pena!
- Não nos vêem conversar,
Ninguém nos viu de mãos dadas
Nem sabem que nos beijamos;
- Como essa gente se engana
Acerca do que pensamos!
Dizem que não nos queremos
Por um motivo qualquer:
-Só no nosso coração
Poderia responder:
Poderia - mas não quer.
António Botto, in. Cancões. No ano em que passaram 50 anos após a morte de António Botto, não podia faltar um poema dele. Sobre António Botto aproveito para partilhar um texto de Francisco José Viegas, lido no blog Da Literatura:
"[...] O país envergonha-se de António Botto porque aprecia muito a pequena anedota que desvaloriza uma obra, uma personagem, um nome. O país muito macho e alazão (mas muito bicha às escondidas) suspeita de Botto e evita usar o seu nome. Faz mal. O contacto com a sua poesia só eleva o leitor e abre a caixa dos preconceitos, para os ver cair depois. Um dos títulos das suas obras completas é Cartas que Me Foram Devolvidas, o que dá bem a ideia do medinho com que esta gente ficou, só de ouvir dizer o nome de António Botto.» (publicado no Correio da Manhã)
Ainda sobre António Botto: a obra completa do poeta nas edições quasi, organizada por Eduardo Pitta.

