domingo, 20 de setembro de 2015

Os Cadernos Secretos de Sébastian. Entrevista a propósito do lançamento do romance.

Os Cadernos Secretos de Sébastian, Romance, André Benjamim, Capa
Capa da nova edição, de Setembro de 2015

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A compra nas lojas da Amazon deve ser efectuada conforme o território de residência. 

Podem também comprar, em verão e-book, na iTunes, e em outras lojas de venda de e-books, bastando para tal uma busca por autor, título, ISBN (papel: 9781482679342, e-book: 9781301947324), ou ASIN (B00FUDHO56) ou em papel, na CreateSpace.

1 - Realidade e ficção no romance?

Não há tal coisa num romance. Num romance, a realidade é ficção, e a ficção é realidade – se assim não for, então não é de um romance que se trata. Portanto, seria igualmente verdade dizer que tudo é realidade, ou que tudo é ficção.
A realidade que possa existir por detrás da escrita, torna-se ficção ao ser transposta para um romance (ou qualquer outra forma de literatura, ou arte), pois está dependente das memórias, e da forma como são evocadas, dos significados que lhes são atribuídos, das ideias através das quais os narradores as exprimem. Por outro lado, a ficção torna-se realidade, ao ser intuída pelos leitores.
Se, ao ler-se um romance, não se acreditar que aquilo que se está a ler é realidade, então todo o prazer que a leitura, potencialmente, possa proporcionar, se esvai: não vale a pena continuar a leitura. E isto, julgo, é verdade para qualquer romance, seja uma história fantástica ou realista...
Em suma, acredito que é irrelevante para o leitor saber o que é realidade-realidade, e o que é realidade-ficção... Talvez, se fosse um romance histórico, isso fosse importante...
A existência uma nota introdutória, alertando para o facto que o romance é baseado em acontecimentos verídicos, tem apenas que ver com uma questão de honestidade e sinceridade, tanto para quem lê, como para o autor, e para aquelas pessoas em quem a narrativa se baseia...
Além destas, há muitas outras pessoas que, se lerem o livro, podem identificar alguns dos episódios relatados. Isto é mais tangível na narrativa do Sébastian, em que a narrativa é mais crua, que na narrativa do André, onde os factos estão mais diluídos e difusos; no entanto, também nesta haverá pessoas que podem afirmar: “É de mim que ele está a falar!”

sábado, 5 de setembro de 2015

Nova edição de «Os Cadernos Secretos de Sébastian»

Com novo formato, nova capa (de Diogo Maia Caetano) e paginação, revisão, e uma entrevista e nota bio-bibliográfica no fim, uma nova edição de Os Cadernos Secretos de Sébastian. São 302 páginas, em formato 15,2cm x 1,8 cm x 22,9cm.


Os Cadernos Secretos de Sébastian, à venda, em formato e-book, na iTunes. Disponível em iPhone, iPad, iPod touch e Mac.
Posted by Os Cadernos Secretos de Sébastian on Friday, 4 September 2015


O Romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian» encontra-se à venda, em livro, na Amazon e na CreateSpace. Em formato e-book podem encontrá-lo na SmashWords, no iTunes, na Amazon, e noutras lojas online.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Entrevista

Cliquem na Imagem para Ampliar
Com um livro já publicado, Os Cadernos Secretos de Sébastian, André Benjamim é um jovem escritor natural do Sorval. Com a alma repartida entre a prosa e a poesia, André não é de muitas conversas "gosto mais de escrever", justifica. A sua escrita é polémica, acutilante e, por vezes, provocadora. O "Pinhel Falcão" foi ao Sorval para conhecer este Pinhelense.

Pergunta-se a idade a um escritor? Não tenho idade. Como em «Alice», não me recordo agora se «no País das Maravilhas» se «do Outro Lado do Espelho», deixei de fazer anos. Estou todos os dias receptivo a presentes... a prendas, não! Só tenho dias de Não-Aniversário...

Pinhel Falcão (PF) – Comecemos pelo pseudónimo André Benjamim. Queres explicar como aparece este nome na tua vida?

André Benjamim (AB) Antes de mais há que dizer que muitas pessoas que se relacionam comigo nem sequer sabem que não me chamo André Benjamim, e mesmo aquelas que sabem, me chamam André. ou Benjamim. Até a minha mãe por vezes se esquece que não me chamo «André». E que quem me chama pelo meu nome civil corre o sério risco de ser ignorado, pois a maioria das vezes não me chama à atenção, sinto-o como estranho a mim mesmo. Do nome André Benjamim há apenas a dizer que teve origem em dois autores de que gosto bastante: a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, e o filósofo Walter Benjamin.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Contradizer 4: "Proposta modesta para evitar que os filhos dos pobres da Irlanda sejam um fardo para os seus pais tornando-se úteis à comunidade."





Foi-me garantido em Londres por um americano dos meus conhecimentos, homem muito instruído, que uma criança saudável e bem alimentada constitui, com um ano de idade, alimento delicioso, nutritivo e saudável, quer estufada, quer assada, quer cozida no forno, quer escalfada; e não tenho dúvidas de que também será possível cozinhá-la em fricassé ou em guisado.

Jonathan Swift, em «Proposta modesta para evitar que os filhos dos pobres da Irlanda sejam um fardo para os seus pais tornando-se úteis à comunidade.» Ensaio satírico que pode ser encontrado na obra Singela Proposta e Outros Textos Satíricos, publicada pela Antígona.

O Teatro do CalaFrio organiza mais uma sessão de ContraDizer, a quarta (evento facebook), desta vez com a presença deste vosso escriba, declamando, ou dizendo, ou não sei bem, poemas e outros textos da sua autoria, acompanhado por Gonçalo Maia Caetano, que tocará guitarra com a mestria de sempre. Para quem quiser (e puder) aparecer, saibam que terá lugar na antiga Escola Primária da Sequeira (Guarda), com o apoio da Associação CSR Sequeira, no próximo dia 30 de Janeiro, pelas 21h30 (Sexta-Feira).

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Publicada por André em Ainda que os Amantes se Percam...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Feliz Natal

(Cliquem na Imagem, mas não se assustem!)



Feliz Natal e Bom Ano Novo

Junto da Família, Amigos, Livros, e Chocolates - em redor duma Fogueira quentinha e uma Mesa farta.

Venho por este meio desejar um Feliz Natal a todos os meus amigos; espero que esta quadra vos encontre de boa saúde, junto daqueles que vos aquecem o coração, e iluminam os vossos dias. Que o Pai Natal seja generoso, na medida do possível; esperemos que lá pela Lapónia ainda não tenha chegado a «crise», mas que os ecos da palavra deixe as renas e os gnomos com disposição para abrirem os cordões à bolsa.

As mensagens de Natal não são o meu forte, mas é mais ou menos isto. Com mais um pouco de treino, chegarei à perfeição das mensagens dos gurus da auto-ajuda. Entretanto, espero que recebam esta mensagem com um sorriso nos lábios.

Votos de um Feliz Natal, e um Próspero Ano Novo,

do vosso amigo,

André Benjamim
(Bruno Miguel Monteiro)


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Liberdade para a Escócia!

Escócia, Scotland

Obviamente troço para que ganhe o SIM. Sou contra todas as formas de colonialismo. Liberdade para os nosso primos Celtas!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Dentro das minhas Cidades/ Já não sei quem é Ladrão/ Se o que anda fora de Grades,/ Se outro que está na Prisão.



Etelvina com seis meses já se punha de pé
Foi deixada num cinema depois da matinée
Com um recado na lapela que dizia assim:
''Quem tomar conta de mim,
quem tomar conta de mim
Saiba que fui vacinada,
Saiba que sou malcriada.''

Etelvina com dezasseis anos já conhecia
Todos os reformatórios da terra onde vivia
Entregaram-na a uma velha que ralhava assim:
''Ai menina sem juízo
nem mereces um sorriso
Vais acabar num bueiro
sem futuro nem dinheiro.''

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Conto do Marinheiro* - Geoffrey Chaucer

Boys Playing on the Shore, Albert Edelfelt
Boys Playing on the Shore
Quadro de Albert Edelfelt

Em tempos havia um Mercador, em São Dinis,
Que por ser rico o julgavam sábio. 
Tinha uma esposa de beleza invulgar, 
Era alegre e gostava de confraternizar, 
Coisa essa que causa mais despesas 
Do que valem todos os cumprimentos afectados 
Que os homens fazem em festas e bailes. 
Tais reverências e composturas festivas 
São passageiras como uma sombra na parede. 
Mas infeliz daquele que por tudo tem de pagar! 
O tolo do marido sempre tem de pagar, 
Ele tem de vestir-nos, ele tem de enfeitar 
Os nossos corpos para a sua reputação enaltecer, 
Enquanto dançamos com toda a ostentação. 
E, se não puder pagar, como por vezes sucede, 
Ou não se submeta a tais extravagâncias 
Por pensar no seu dinheiro desperdiçado, 
Então outra pessoa terá de suportar a despesa 
Ou emprestar-nos dinheiro, o que é perigoso.

Geoffrey Chaucer, In. Contos da Cantuária

domingo, 7 de setembro de 2014

Inventa tudo

Invenção, Internet, Inspiração


Inventa tudo. Devemos inventar tudo porque a realidade é uma coisa que não existe. O que existe é a realidade da nossa imaginação. Sabes como é que eu vejo o Salazar, sabes?

BAPTISTA-BASTOS, In. O Cavalo a Tinta-da-China

sábado, 6 de setembro de 2014

Do Côa ao Távora na Guerra Peninsular, de Santos Gama


Sempre gostei de ganhar livros, seja em concursos, seja oferecidos, seja de que maneira for; lamento nunca ter roubado um livro - sinto que sou um leitor incompleto, enquanto o não fizer: até já se escrevem livros sobre personagens que roubam livros, e eu continuo sem ter roubado um. Nem sequer semi-roubado: devolvo todos os que me emprestam. Já o contrário... Ladrões de pechisbeque...

Precauções...

Precauções

sábado, 30 de agosto de 2014

«Montedor» de José Rentes de Carvalho

Montedor, Rentes de Carvalho
Capa de «Montedor»
de J. Rentes de Carvalho
O que acho que, neste momento ou neste ano, as pessoas descobrirão em Montedor é a aflição de querer sair do Inferno que Portugal era na altura [da sua edição], uma escuridão total nas pessoas; não havia futuro, não havia esperança. Hoje, talvez essa miséria do antigamente se renove, e talvez as pessoas, principalmente aquelas que têm 30 ou 40 anos e que não têm futuro ou se sentem desesperadas, encontrem nesse livro alguma coisa que lhes fale ao coração.
(...)
Eu não tinha qualquer hipótese de construir um futuro em Portugal, eu era rebelde, era mau, era intolerante, furioso... Tinha uma raiva grande, e sair de Portugal salvou-me, porque, se tivesse ficado, ia ser o protagonista de Montedor, o sujeito que está sempre à espera do que sonha e que nunca vai acontecer. Isso cria um desespero interior que é fatal para a pessoa.

J. Rentes de Carvalho, em entrevista ao Público, em Maio, aquando da 8.ª Edição da LeV - Literatura em Viagem. «Montedor» chega às livrarias a 05 de Setembro de 2014; as primeiras páginas podem ser lidas AQUI

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, por Laurence Sterne

A história de Tristram Shandy é antes de mais a história da sua própria história, a narração da narrativa, uma longa linha que por vezes é esticada e reta, outras é emaranhada e retrocida, umas vezes anda rapidamente para a frente, outras vezes desvia-se, curva, volta atrás, ganha balanço, para depois continuar. Por vezes fala de si mesma, outras vezes entretém-se com outras histórias; como O Conto de Hafen Slawkenbergius (uma personalidade célebre que nunca existiu e que Sterne mistura com outras que foram reais; «hafen» significa “penico”, em alemão, e «slawkenbergius» significa “monte de esterco”). Discorre longamente sobre a importância dos nomes, do tamanho dos narizes, e de tudo o mais que se lembre; pode parecer, à primeira vista, que isto não faz sentido nenhum.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Contos para ler antes de morrer*

contos, short stories,

A minha selecção de contos (livros e autores) que todos os amantes de livros e literatura - e deste género em particular - devem ler. No homo literatus - vão lá espreitar.


*Porque depois não dá; a não ser que o paraíso seja - como deveria de ser - uma biblioteca. O pior é que - se for uma biblioteca borgiana - será uma biblioteca de livros inexistentes: o que, por outro lado, está de acordo com a imortalidade - embora, pela mesma lógica - ou outra qualquer - o inferno seja mais apetecível: é onde estarão os livros interessantes...

(Imperdoavelmente, esqueci-me de Géza Csáth...)

domingo, 23 de dezembro de 2012

Mensagens de Natal


As minhas mensagens de Natal para todos os que aqui passam podem ser lidas AQUI e AQUI. Feliz Natal!

sábado, 17 de novembro de 2012

The Man I Love. Entrevista a Richard Zimler e Alexandre Quintanilha


Excerto da entrevista a Richard Zimler e Alexandre Quintanilha, realizada por Anabela Mota Ribeiro para o jornal Público. Podem ler a entrevista integral em Ainda que os Amantes se Percam...

Conheceram-se em São Francisco em 1978, mudaram-se para o Porto em 1990. Casaram-se há dois anos e um mês. Alexandre Quintanilha tem 68 anos, é cientista. Richard Zimler tem 56 anos, é escritor. (...)
Eles souberam, desde o princípio, que o outro era o tal. Não se enganaram. Sorte? Sorte e trabalho, respondem os dois.


A maior parte das pessoas precisa do conforto de saber onde pertence.
A.Q. - Não sei se precisam. Acho que estão doutrinadas para achar que precisam. Vivemos muito em relação à opinião dos outros - como é que nos identificam, onde é que nos põem, como é que nos consideram? Estes muitos anos de vida foram uma caminhada a libertar-me disso.
 
Por que é que para si foi importante casar?
R.Z. - Simbolismo. Ainda há sítios no mundo em que ser homossexual pode ser punido com sentença de morte, com penas de dez anos, ou mais, de prisão. Para mim, como escritor, como ser humano, o facto de ser um crime exprimir o que é melhor dentro de nós, a afeição, a paixão, a solidariedade e a amizade, é inconcebivelmente injusto. É muito importante reivindicarmos os nossos direitos no Ocidente, para que um jovem que tenha acesso à Internet no Burkina Faso, na Nigéria ou na Birmânia, possa ir ao site do PÚBLICO em Portugal [e ler esta entrevista].
 
A aprovação do casamento gay em Portugal foi um passo de gigante para que isto deixe de ser um assunto?
A.Q. - Sim. Ter sido aprovado e ter tido pouca contestação, o que é uma coisa muito interessante.
R.Z. - Toda aquela gente que previa o fim do mundo...
A.Q. - Só daqui a vários anos vamos perceber o impacto. Uma das razões pelas quais tive dúvidas sobre dar esta entrevista foi porque já quase deixou de ser um assunto em Portugal. Tinha medo que as pessoas pensassem que estava a fazer a apologia de qualquer coisa, ou que havia a necessidade de falar sobre um assunto.
R.Z. - É um risco. Não quero ser conhecido como um escritor gay, como também não quero ser conhecido como escritor judeu, ou escritor americano. Quero ser conhecido como um bom escritor. Decidi correr esse risco. Os benefícios para a tal jovem de Castelo Branco e para o jovem de Fafe são mais importantes. Há pessoas que estão a sofrer imenso no mundo simplesmente por amarem uma pessoa do mesmo sexo.
 
É um país muito mais iníquo, agora?
A.Q. - Sim. É das coisas mais graves que vi nestes últimos 20 anos. É criminoso que nestas propostas [do Orçamento do Estado] o aumento dos impostos dos mais ricos seja em percentagens mais baixas que o dos mais pobres. Os pais do Richard viveram o tempo do Roosevelt, que criou trabalho depois da Grande Depressão, o New Deal. Gostaria muito que houvesse um New Deal em Portugal. Os que têm mais deviam contribuir mais, os que têm menos deviam contribuir menos. São os dois grandes dilemas nesta altura, a iniquidade e os miúdos a sentir que não têm escolhas, que a única escolha é ir lá para fora. A consequência disso sobre a saúde mental dos portugueses vai ser muito séria. Já não tínhamos uma saúde mental muito boa [riso].