domingo, 23 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
The Man I Love. Entrevista a Richard Zimler e Alexandre Quintanilha
Excerto da entrevista a Richard Zimler e Alexandre Quintanilha, realizada por Anabela Mota Ribeiro para o jornal Público. Podem ler a entrevista integral em Ainda que os Amantes se Percam...
Conheceram-se em São Francisco em 1978, mudaram-se para o Porto em
1990. Casaram-se há dois anos e um mês. Alexandre Quintanilha tem 68
anos, é cientista. Richard Zimler tem 56 anos, é escritor. (...)
Eles souberam, desde o princípio, que o outro era o tal. Não se enganaram. Sorte? Sorte e trabalho, respondem os dois.
Eles souberam, desde o princípio, que o outro era o tal. Não se enganaram. Sorte? Sorte e trabalho, respondem os dois.
A maior parte das pessoas precisa do conforto de saber onde pertence.
A.Q. - Não sei se precisam. Acho que estão doutrinadas para achar
que precisam. Vivemos muito em relação à opinião dos outros - como é
que nos identificam, onde é que nos põem, como é que nos consideram?
Estes muitos anos de vida foram uma caminhada a libertar-me disso.
Por que é que para si foi importante casar?
R.Z. - Simbolismo. Ainda há sítios no mundo em que ser
homossexual pode ser punido com sentença de morte, com penas de dez
anos, ou mais, de prisão. Para mim, como escritor, como ser humano, o
facto de ser um crime exprimir o que é melhor dentro de nós, a afeição, a
paixão, a solidariedade e a amizade, é inconcebivelmente injusto. É
muito importante reivindicarmos os nossos direitos no Ocidente, para que
um jovem que tenha acesso à Internet no Burkina Faso, na Nigéria ou na
Birmânia, possa ir ao site do PÚBLICO em Portugal [e ler esta entrevista].
A aprovação do casamento gay em Portugal foi um passo de gigante para que isto deixe de ser um assunto?
A.Q. - Sim. Ter sido aprovado e ter tido pouca contestação, o que é uma coisa muito interessante.
R.Z. - Toda aquela gente que previa o fim do mundo...
A.Q. - Só daqui a vários anos vamos perceber o impacto. Uma das
razões pelas quais tive dúvidas sobre dar esta entrevista foi porque já
quase deixou de ser um assunto em Portugal. Tinha medo que as pessoas
pensassem que estava a fazer a apologia de qualquer coisa, ou que havia a
necessidade de falar sobre um assunto.
R.Z. - É um risco. Não quero ser conhecido como um escritor gay,
como também não quero ser conhecido como escritor judeu, ou escritor
americano. Quero ser conhecido como um bom escritor. Decidi correr esse
risco. Os benefícios para a tal jovem de Castelo Branco e para o jovem
de Fafe são mais importantes. Há pessoas que estão a sofrer imenso no
mundo simplesmente por amarem uma pessoa do mesmo sexo.
É um país muito mais iníquo, agora?
A.Q. - Sim. É das coisas mais graves que vi nestes últimos 20
anos. É criminoso que nestas propostas [do Orçamento do Estado] o
aumento dos impostos dos mais ricos seja em percentagens mais baixas que
o dos mais pobres. Os pais do Richard viveram o tempo do Roosevelt, que
criou trabalho depois da Grande Depressão, o New Deal. Gostaria muito
que houvesse um New Deal em Portugal. Os que têm mais deviam contribuir
mais, os que têm menos deviam contribuir menos. São os dois grandes
dilemas nesta altura, a iniquidade e os miúdos a sentir que não têm
escolhas, que a única escolha é ir lá para fora. A consequência disso
sobre a saúde mental dos portugueses vai ser muito séria. Já não
tínhamos uma saúde mental muito boa [riso].
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
e-book
Para quem gosta de e-books, informo que o meu romance já se encontra à venda na amazon. Links para os diferentes países [o texto é sempre em Português]:
- amazon.com [ESTADOS UNIDOS]
- amazon.co.uk [REINO UNIDO]
- amazon.de [ALEMANHA]
- amazon.it [ITÁLIA]
- amazon.es [ESPANHA]
- amazon.fr [FRANÇA]
Assim, se tiverem curiosidade, e quiserem contribuir com uns trocos (que
servirão para a publicação de um livro de poesia/prosa poética, em
edição de autor) vão à amazon comprar o vosso exemplar.
sexta-feira, 2 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll
Nós leitores vorazes* temos esta mania de impingir livros uns aos outros, e muitas vezes caímos na tentação de impingir livros a pessoas que - não sabemos porquê - ficam aborrecidas. Quando comprei a edição conjunta - a que se vê na imagem, da Relógio D'Água - de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, e Alice do Outro Lado do Espelho, de Lewis Carroll, comprei logo três exemplares, um para mim, dois para impingir. Eram tão baratos que nem queria acreditar. Nesse dia comprei também Sylvie e Bruno, igualmente de Lewis Carroll, outra pechincha, da mesma editora. Por quatro livros dei uma nota que muitas vezes não dá para comprar 1/3 de livro. Mas eu já tinha as três obras noutras edições? O que é que isso importa agora? E estes belíssimos exemplares vêm com as ilustrações originais de Sir John Tenniel, e de Harry Furniss. (continua aqui)
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
2002:2012 - Uma década perdida...
Evolução da taxa de desemprego em Portugal, entre 1990 e 2010. Agora está nos 14 e tal por cento. Continua aqui.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
decreto governamental
Por decreto governamental
deixam de rimar os verbos
Querer
e Poder
em Portugal.
Fica o verbo
Poder
na posse do Conselho
de Ministros
sinistros.
Querer...
Quem quiser
ser feliz
deve sair
deste país.
Ficam adiados
os sonhos
por tempo indeterminado.
E suspensa
a Democracia.
São mobilizados
os jovens
os velhos e as crianças
e as mulheres
em defesa da pátria:
- Os jovens devem cessar
os estudos.
Em alternativa,
faça-se rimar
comer e calar.
ler mais
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Ah, se te queres matar...
Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso andiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão vísivel e material,
E dos homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentado entre as últimas notícias dos jornais da noite,
Interseccionando a pena de teres morrido com o último crime...
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a retirada preta para o jazigo ou cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? o que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso andiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão vísivel e material,
E dos homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentado entre as últimas notícias dos jornais da noite,
Interseccionando a pena de teres morrido com o último crime...
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a retirada preta para o jazigo ou cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? o que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
ÁLVARO DE CAMPOS (26/04/1926), In. Poesias (Assírio & Alvim, pp. 304-307)
domingo, 15 de janeiro de 2012
Blogs do Ano 2011 - Abertas as Votações!
O meu blog Ainda que os Amantes se Percam... está inscrito no «Blogs do Ano 2011», organizado pelo Aventar, na categoria «Blogues Revelação (nascidos em 2011)». Quem quiser votar no meu blog (ou noutros e/ou também noutras categorias) é só ir AQUI. Obrigado desde já pelo voto e pelas visitas!
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
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