Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;
e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos, e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi -
não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.
Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.
JORGE DE SENA, Brasil, 1956-65
Esta entrada é um corolário lógico da anterior; falar de alguém fica sempre melhor com a sua própria palavra...
ResponderEliminarO facto de J.de Sena ser um pessoano convicto, não contraria o meu comentário anterior, eheheh.
Abraço grande.
Olá amigo, não, não invalida!
ResponderEliminarAqui entre nós, eu não Pessoano! Sou Álvaro-de-Camposiano! Abraço