Não acabou. Era ainda segredo, o terrível segredo que há muito o atormentava e já de uma vez estivera quase a revelar-me. Dei voltas ao meu juízo, mas nada descobri. Já a camioneta gemia na escalada da serra para a Guarda e um desamparo maior nos despojava de nós próprios no silêncio recolhido de todos os passageiros, suspensos do abismo do longo vale submerso. Uma chuva miúda batia-nos agora de frente, de lado, escorria lentamente pelas vidraças. Até que, sofrendo sempre ao longo da rampa íngreme como se vencesse um calvário, a camioneta chegou enfim à praça da Sé e desembaraçou-se de nós, largando-nos à pressa, com todas as portas abertas. Um vento selvagem, sem cabresto, cavalgava pelas ruas, fazia distúrbios na praça, punha em alvoroço as nuvens de chuva. Desencorajado, abandonado de toda a gente que fugia pelas esquinas, olhei em roda como no centro de um deserto. [Bertrand Editora (19.ª Edição) Vendas Novas: 1997, p. 99].
O único romance que reli!
*23 de Abril - Dia Mundial do Livro. No Table of Contents, Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda.

Este apenas li; raramente volto a reler um livro, mas vou bastantes vezes reler certas passagens que me ficaram marcadas.
ResponderEliminarAbraço.
Eu li três ou quatro vezes! E a par de O Principezinho, foram os únicos que reli... Mas não considero O Principezinho um romance... ;-) Abraço
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