É um nada Amor que pode tudo,
É um não se entender o avisado,
É um querer ser livre e estar atado,
É um julgar o parvo por sisudo;
É um parar os golpes sem escudo,
É um cuidar que é e estar trocado,
É um viver alegre e enfadado,
É um não poder falar e não ser mudo;
É um engano claro e mui escuro,
É um não enxergar e estar vendo,
É um julgar por brando ao mais duro;
É um não querer dizer e estar dizendo,
É um no mor perigo estar seguro,
É, por fim, um não sei quê, que não entendo.
Autor Anónimo do século XVII, in Fénix Renascida.
Para quem não entende o "anónimo" criou uma bela definição...
ResponderEliminarÉ um querer ser livre e estar atado...
ResponderEliminarapreciei muito toda esta definição de amor...
tudo o que se diga de bom é pouco...
ResponderEliminarabraço
É um nada que pode tudo.
ResponderEliminarAcho que o amor não se define sente-se...
Gostei do soneto.
Um abraço.
olá mikael, do amor costuma-se dizer que ninguém o consegue definir; paradoxalmente, nenhuma outra coisa terá sido objecto de tantas e tão variadas definições... e na poesia portuguesa há muitos exemplos... abraço.
ResponderEliminarolá luis galego, é um dos belos exemplos que existem na literatura portuguesa... quem não conhece o soneto do luiz vaz de camões?! e nesta colectânea, "fénix renascida" existem muitos poemas extraordinários (sobre amor e nem só)... abraço.
olá socrates, e tudo o que aconteça de mau não é nada, não é assim? o amor arranja sempre desculpas... abraço.
olá multifuncional, já visitei o teu blog, mas de momento não preciso de uma impressora nova; quem sabe, quando a minha se estragar... abraço.
olá special k, temos este apetite pelas definições; queremos sempre transformar o que sentimos em palavras, para o podermos comunicar... infelizmente, muitas vezes nesta ânsia de definir, perceber, compreender, esquecemo-nos do mais importante, que é o sentimento em si... abraço.