quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

post sôfrego, porque me apetece gritar bem alto, mas tenho a voz embargada e, no peito, a ira do tamanho do universo ou, pelo menos, em expansão.

há princípios que adoptamos como verdades, senão universais, universalmente verdadeir0s para nós. um princípio que sempre tive como verdade e vector é o princípio que somos nós que fazemos o nosso caminho, que somos nós que construímos as nossas sortes e azares, que somos nós que vamos rabiscando o nosso destino no caderno das nossas vidas. porém, há dias em que me sinto um fantoche nas mãos de malfadada sina; uma após outra, redundam em nada, as decisões e opções por que enveredo; sonhos, projectos e ambições caem por terra, desfazem-se em pó, misturam-se no pó de onde surgiram, sem que da terra se tenham erguido um milímetro sequer. esperanças veêm de onde as não espero, fincam-se-me na carne como caloroso bálsamo para as muitas feridas, mas em chicotes de fumo vergastando o meu corpo terminam como tudo. há momentos em que me apetece dizer basta, e suspender o tempo, estatizar o segundo para sempre na retina. mas não sou dono do universo, sou um dos seus insignificantes súbditos. que me resta, senão partir à deriva? enfio a chave na ignição, como quem trespassa a alma com o gládio mortal, e o carro geme agonizante como o corpo. arranco, parto. a meio do caminho para lugar algum, parte-se a correia de transmissão, e lá regresso ao ponto de partida, num tumulto maior que o da partida. viagem curta, longa porém, bastante para colocar em causa todos os meus princípios. quando um após outro, se sucedem os revezes, mais tarde ou mais cedo acabamos por lhes chamar azar. e eu, eu sou um homem cheio de azar. não vir o azar todo de uma vez!, logo se veria se acabava ou começava...

3 comentários:

  1. sempre me intrigou porque é que as pessoas clicam nos comentários, quando ainda não há comentários, e depois não deixam comentário nenhum... mas mais intrigante é quando escrevem e depois apagam; todavia, nesse caso, eu recebo o comentário no e-mail de qualquer modo... quero portanto, agradecer-te o comentário, lamentando a decisão de o apagares... abraço.

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  2. É um texto, caro André, que revela um estado de alma, que espero, entretanto tenha acalmado; todos passamos por situações pontuais de "panne", como tu.
    Abraço.

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  3. oh!, não te preocupes, não é um estado de alma, é apenas uma característica - que por vezes é atiçada...

    como é que é o poema do Álvaro?

    Vou atirar uma bomba ao destino.

    Abraço! (!!do tamanho da explosão!!)

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