sábado, 12 de janeiro de 2008

rascunho encontrado num caderno abandonado #59

Quando se apaixonava esquecia tudo, os seus olhos só tinham fixação naquele ser. Quando ele não estava perto, andavam zomzos, saltitando de rosto em rosto, prescrutando a multidão para o encontrar. Às vezes ganhava coragem - com o tempo a coragem vinha cada vez mais depressa, mas menos intensa, mais indiferente - ou era ele que vinha falar com ela. Ah! é tão bom!, parecia exclamar. O seu corpo era brilho, o seu sexo era magma. Quando amamos todos os nossos problemas desaparecem, confessava-me. Era, então, esse o segredo do Amor - não nos dá respostas, apenas não coloca as perguntas. Fizemos Amor, confessava-me baixinho, o seu rosto era sorriso, Diz que me ama, que quer ficar comigo para sempre. Contraía-se o seu rosto, ainda com um leve sorriso, e suspirava. Eu, que a conhecia desde sempre - pura verdade neste caso, pois nascera um ano depois dela e cresceramos juntos, já sabia. Saíra a pensar nele, naquele que há anos a deixara a sonhar com a certeza de uma promessa.
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