quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

conversa no msn*

pessoa 1 - Obrigado por todo o conhecimento que partilhas.
pessoa 2 - Ui! Que conhecimento do caraças! Não serve para nada...
pessoa 1 - Claro que serve... Quem me dera...
pessoa 2 - Para quê? Preferia ser uma pobre ceifeira... Não sofria tanto por dentro...  
pessoa 1 - Parece a lógica do Alberto Caeiro...
pessoa 2 - ... Fernando Pessoa... Nem a minha alma seria um barco a meter água por todos os lados... A Ceifeira é do próprio...  
pessoa 1 - Às vezes dou cada argolada...  
pessoa 2 - Acontece... Olha, pomos sonhos demais na alma; e para quê, se no fim morremos todos? Sentemo-nos calmamente à beira-rio...  
pessoa 1 - O livro que não sai da minha mesa de cabeceira é "Poesia do Eu" de Fernando Pessoa... De vez em quando abro para ler um poema...  
pessoa 2 - Eu agora só leio o Álvaro... É tudo o que tenho, livros... Raios partam os livros, a vida e quem lá ande...  
pessoa 1 - Tens mais coisas... Mas sim, os livros são uma boa parte da tua vida. Quando páro numa livraria lembro-me sempre de ti!
pessoa 2 - Não, não tenho, e os livros, hei-de queimá-los! Que trauma! É melhor que vás ao psiquiatra enquanto ainda é tempo...
pessoa 1 - Vá lá.. não comeces a "Esparvoar"...  
pessoa 2 - Oh... eu falo sempre a sério! Quando pensam que estou a "esparvoar" estou a falar a sério, mas as pessoas não me levam a sério, que hei-de fazer? Bem, vai lá dormir, não quero ser o causador das tuas insónias! Bem basta o trauma das livrarias...
pessoa 1 - Não me digas? Não te levam a sério!! Claro que levam... mas quando te digo que estás a "esparvoar" é porque acho que deves parar e pensar bem no que dizes...
pessoa 2 - Oh! Eu penso sempre, é a única coisa que faço, pensar... mas eu sou - sempre fui! - cruelmente realista, não gosto de eufemismos...  
pessoa 1 - Pois... ok.. é tanto que às vezes dá um nó não é? Pelo menos é o que me acontece quando penso muito... É isso que eu gosto mais em ti, eu não sou muito assim, como tu... Gostava de ser um bocadinho como tu nesse aspecto...
pessoa 2 - A vida real é cruel... As pessoas morrem, maltratam-se, abandonam-se, esquecem-se... Somos circunstanciais...  
pessoa 1 - Mas acho que tu também precisavas um bocadinho da minha "positividade"... E eu precisava do teu terra-a-terra...  
pessoa 2 - Por mais que digamos o contrário, não sentimos os sentimentos dos outros...  
pessoa 1 - Pois... Isso nunca!
pessoa 2 - Portanto, as dores dos outros não nos doem, nem as alegrias dos outros nos alegram! Somos - seremos sempre - sozinhos. Pegando na frase do velhinho Jean-Paul Sartre, o inferno são os outros... por causa daquilo que vemos neles que nos faz lembrar da nossa verdadeira natureza... não são as dores dos outros que nos doem, é a possibilidade de também nós podermos ter a dor que os outros têm que nos dói...  
pessoa 1 - Pronto... Tu levas tudo ao extremo!  
pessoa 2 - Eu falo claro, digo as coisas como são...  
pessoa 1 - Enfim... Depois nós conversamos...

 *Conversa reproduzida sem a autorização dos intervenientes; espero que não fiquem chateados comigo... A conversa foi devidamente truncada, reorganizada e corrigida!

3 comentários:

  1. Somos sempre sozinhos. Temos que partir desta realidade e voltar a ela quantas vezes precisarmos para definirmos o nosso lugar no mundo com os outros.

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  2. Olá Alexandra, antes de mais, muito bem-vinda a este depósito de devaneios. obrigado pelo comentário, a que nada mais tenho a acrescentar, pois a minha concordância é total. Abraço.

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  3. Muito obrigada. Gostaria de acrescentar o que um amigo meu disse sobre o assunto: "a aprendizagem da felicidade sozinho pode ser feita com outros. Isto é, não precisamos de nos isolar para atingir uma aprendizagem interior (...). Se tivessemos que entrar em reclusão de cada vez que temos uma crise existencial..."

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