quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

aviso à navegação

Ontem, no TMG, disse-me um acabado-de-conhecer para escrever deve ser precisa uma paz de espírito muito grande. Não sei se era uma afirmação ou uma pergunta. Um preguiçoso encolher de ombros foi a minha possível resposta. Talvez seja por isso que eu deixei de escrever. Outros, para escrever precisarão de outras coisas. Eu preciso de um lápis ou caneta e de papel. Às vezes escrevo apenas no pensamento. A maioria das vezes perco o escrito no fundo da gaveta do cérebro. Não tivesse o cérebro tantas gavetas e lugares recônditos, talvez encontrasse algum texto digno de ser escrito, lido, publicado. Analepse: o índividuo acabado-de-conhecer, não tenho certeza do seu nome, Paulo (?), veio de Lamego, de Lamego!, onde anda, andou (?), nos Rangers. Há sempre uma ironia qualquer nos acasos da minha puta de vida. Porque é que é sempre uma bêbeda ou um gajo de Lamego a ler-me as entranhas?! Bem, ao menos desta vez o gajo não acertou; se há coisa que não tenho é paz de espírito (ou era uma insinuação do gajo, a dizer sei bem que não escreves há meses, é a paz de espírito, não é?). E coisas que não tenho é o que mais há; as que tenho contam-se pelos dedos e são sobretudo ilusões. Fez-me lembrar da alcoólica que um dia, numa mesa de um bar, em Coimbra, se veio sentar na nossa mesa - lembras-te Samuka? lembras-te Mafalda? - assim, sem mais nem menos, talvez gostasse das nossas carinhas larocas, e desatou a acertar - não? - nas nossas vidas: tu tens uma tristeza muito grande dentro de ti, disse-me. Reparem que não disse tu és uma pessoa muito triste. Não!, tu tens uma tristeza... E é uma tristeza muito antiga, acrescentou. Agora fujo a sete pés dos bêbedos. Não há gente mais clarividente que os bêbedos. Eu quando estou bêbedo também sou lúcido. Só que não consigo reconstituir as ideias que tive. O problema é a arrumação que damos às ideias que temos enquanto estamos bêbedos. Vamos lá lembrar-nos da gaveta onde as enfiámos! Às vezes aparecem-nos umas ideias à flor do cérebro, mas não vêm inteiras. Onde iremos desenterrar o resto? A bêbeda, lembro-me agora, chamava-se Maria João. Podia ter outro nome qualquer, mas este era o dela. Onde ia eu? Vou mas é formatar este texto e publicá-lo no blog, antes que me esqueça. É que tinha vindo aqui para fazer mais um aviso à navegação: muitas pessoas têm-me adicionado no msn. Ora, eu raramente vou ao msn. E quando vou, vou com conversa marcada. O melhor é enviarem-me um e-mail, não pensem que vos rejeitei, ou eliminei, ou bloqueei.

2 comentários:

  1. ;) lembro-me bem disso, sim senhor! e lembro-me que a tua resposta foi um outro encolher de ombros... não necessariamente preguiçoso, mas sim envergonhado, como se subitamente alguém tivesse descoberto aquilo que tão afincadamente procuravas esconder...

    abraço

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  2. Samuka, não era preciso revelar pormenores! Quantas saudades dessas noites; não desses tempos, que se fosse hoje teria evitado... mas depois não vos teria conhecido, não estaríamos aqui hoje a falar disso... abraço.

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