quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

a arrumação adiada*

Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incómodo de estar assim sentado) Senão saber isto: Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida. Excerto que um poema de Álvaro de Campos, que pode ser lido integralmente nas páginas 427-429, edição da Assírio & Alvim, "Poesia" de Álvaro de Campos. O título retirei-o do 5.º verso. O poema não tem título... *Estive a adicionar blinks, uma imagem, Love, de Keith Haring, e o link para um vídeo no youtube. Quando acabei, estiquei a minha mão para o volume Poesia de Álvaro de Campos, abri ao acaso, e calhou este poema em sorte...

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