sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #53

As Palavras

Dançam
Sempre as mesmas palavras
Na memória
Sonhos cavados
Neste corpo frágil.

Lançam
Sempre as mesmas sementes
- Palavras que vergam, seduzem -
Estalam na carne
Com movimentos alados.

Dançam, voam, explodem
Chicotes
Atravessam a memória
- Trespassam o corpo
Com passos etéreos.

Dizem que sim, dizem que não.
Pedem, imploram, oferecem, tiram
Vão e veêm - um dia tive! -
E no interstício vive,
Do intervalo que houve,
O corpo que se arrasta - ouve! -
Pelas horas, pelos dias, pela vida.
Sequioso procura - guarida! -
Nada encontrará - sabe bem! -
Mas é a esperança que o mantém,
E as palavras - sempre as mesmas -
Que dançam - na memória...


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Trabalho Poético: O trabalho do poeta é como o do varredor de rua num dia de vento: ingrato.

manuel a. domingos, inblog meia-noite todo dia

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