terça-feira, 11 de dezembro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #50*

às vezes, acordo sobressaltado
sempre com a mesma inquietação
sonho que partiste, angustiado
acordo quando o tu me olhas
pela última vez, um olhar
inexpressivo, uma expressão
que nada me diz, nada transmite
o teu silêncio, o teu olhar absorto,
a pacatez em volta do teu rosto
fazem tremer o meu coração,
o meu corpo ergue-se, corre
ao teu encontro. Um impulso
ávido, bate contra o meu peito
para te agarrar. Estico a mão,
tacteio. O leito está, sempre,
vazio. Respiro profundamente.
Não sei, nunca, se partiste
ou se nunca lá estiveste...

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*O poema do Miguel Torga, que publiquei no post anterior, fez-me lembrar deste, talvez pelo primeiro verso, talvez pelo título, não sei...

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