sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #49

Não poderei nunca dizer o teu nome

Não imaginas a força que foi necessária
Para colherem os sonhos que havia
Dentro de mim, nem a dor que sofri
Nem o sangue que suaram para semear
Os pesadelos que todas as noites
Me inquietam. São fantasmas,
Fantasmas com o teu rosto e a tua face
Que nunca esqueci. Os traços são agora
Mais definidos e carregados, embora
A memória com que te guardo se vá
Desvanecendo. É cada vez mais difusa
A esperança que ainda me acompanha.
Às vezes questiono-me se terás existido,
Se será possível que alguém desapareça,
Assim, de repente, sem deixar rasto,
Como um sonho quando acordamos,
E não recordamos nenhuma palavra,
Nenhuma imagem, nenhuma memória
De termos sonhado. Sem ter havido
Um adeus, nem que fosse apenas um
Olhar ou expressão do rosto. Não sei,
Às vezes penso que apenas em mim
Caminhaste um dia, e deste-me a mão
E eu sonhei que seria para sempre,
Mas era apenas um sonho, um sonho...
Porém, o teu rosto, tão nítido aqui
Na minha mente, na minha imaginação
Na minha memória que nunca pára,
Que não quer deixar de acreditar.
Mas eu não deixo de me questionar
Se terás existido? Uma face assim
tão real dentro de mim, diz-me que sim:
- É quando a dor me fere e se agudiza,
E pergunta sem saber o quanto magoa,
Como foi possível ter-te perdido?

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2 comentários:

  1. Ola cunhadito, tenho pena nao ter estado presente e sei que tu nao ficaste nada contente, mas como tu sabes a vida e fodida, peço imensa desculpa. Um grande abraço.

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