sábado, 22 de dezembro de 2007

Quando te Vais*

Quando te vais o vento rodopia para norte Os pintores trabalham todo o dia mas ao pôr-do-sol a tinta cai Deixando à vista as paredes enegrecidas O relógio retrocede até bater sempre a mesma hora Que não tem lugar nos anos. E à noite aconchegado na cama de cinzas Eu acordo ofegante É o momento em que as barbas dos mortos começam a crescer Lembro-me de que estou caindo Que so eu a razão disso E que as minhas palavras são as vestes do que jamais serei Como a manga dobrada de um rapaz com um só braço.
*Poema de William Stanley Merwin traduzido por Bernardo Pinto de Almeida. Artigo Wikipédia sobre o Poeta W. S. Merwin.

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