domingo, 9 de dezembro de 2007

Hadrian and Antinous in Egypt

Hadrian and Antinous Édouard-Henri Avril painting homosexuality
Hadrian and Antinous in Egypt, de Édouard-Henri Avril.
«Belo era o meu amor, porém melancolia. Tinha aquela arte, que cativo fazia O amor, de ser triste em raiva e cupidez. Agora o Nilo o devolveu, o Nilo eterno. Sob anéis molhados, da Morte a lividez A lutar com nosso querer num sorriso terno.» Mesmo enquanto pensa, sendo o prazer mera Memória do prazer, revive, e tomando Os sentidos pela mão, a carne acordando, Tudo volta a ser o que dantes era. O corpo morto no leito se ergue e vive E deita-se com ele perto, inda mais perto, E mão invisível, sábia, a rastejar Em cada entrada do prazer desperto Segreda carícias que, embora furtivas, Deixam as últimas fibras a sangrar, Ó doces e cruéis da Pátria fugitivas!
Excerto de Antinous, de Fernando Pessoa. Original escrito e publicado em Inglês; Lisboa, 1917. Tradução de Luísa Freire. (In, Poesia Inglesa I, Assírio & Alvim, 2000) O original, em Inglês: «Beautiful was my love, yet melancholy. He had that art, that makes love captive wholly, Of being slowly sad among lust's rages. Now the Nile gave him up, the eternal Nile. Under his wet locks Death's blue paleness wages Now war upon our wishing with sad smile.» Even as he thinks, the lust that in no more Than a memory of lust revives and takes His senses by the hand, his felt flesh wakes, And all becomes again what 'twas before. The dead body on the bed starts up and lives And comes to lie with him, close, closer, and A creeping love-wise and invisible hand At every body-entrance to his lust Whispers caresses which flit off yet just Remain enough to bleed his last nerve's strand, O sweet and cruel Parthian fugitives!

4 comentários:

  1. É curioso, mas esta tela "transporta-me" mais para Yourcenar so que para Pessoa...
    Abraço.

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  2. Sabes, sou um Pessoano empedernido, não há volta a dar... Mas tens razão, até porque o Antinous Pessoano é um Antinous post-mortem, ao contrário do de Yourcenar (suponho - pois, baixinho para não me ouvirem, nunca li a obra de Yourcenar)... Abraço.

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  3. Realmente...

    A Yourcenar não faz parte do meu "cânone"... Li há uns anos um conjunto de contos e não fiquei com vontade de ler mais nada dela... Mas que sabe, talvez um dia chegue a sua hora... Ainda não sou assim tão velho! Abraço.

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