quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A COMPANHEIRA SILENCIOSA*

Sinopse: Dina Matos, uma americana, filha de portugueses, conheceu Jim McGreevey quando este ainda era o Mayor de Woodbridge, no estado de Nova Jérsia. Dina sentiu-se imediatamente fascinada pela sua personalidade carismática e cativante, e próxima dele pela paixão que ambos nutriam pela luta política. Ele era um potencial candidato do Partido Democrata às presidenciais de 2008 e ela, bonita, inteligente, fora talhada para o apoiar na campanha. Mas em 12 de Agosto de 2004, Jim McGreevy anunciou publicamente a sua demissão, assumindo com à-vontade uma ligação gay. O choque foi devastador para ela, que na sua cega lealdade, não tinha sabido interpretar os sinais. Durante três anos recusou-se a falar do que sentiu. Finalmente, Dina decidiu que não podia ficar calada por mais tempo, divorciando-se e publicando a sua própria versão do que foi viver um casamento baseado na mentira e na traição. (sinopse da Editorial Presença).


Outros excertos com negritos meus, do site da Editorial Presença: Nenhuma mulher nos vai falar sobre isto. É a primeira coisa que um jornalista pensa quando começa um trabalho destes. Imagine: você tem um casamento (aparentemente) perfeito. Um belo dia descobre que afinal havia... outro. Fala-se muito de quem tem a coragem de assumir a sua homossexualidade, mas quem fala de quem fica? Arrastada à força de um “armário” onde nem sequer sabia que estava, você falaria dessa experiência?


Não falam. O mais estranho é que toda a gente conhece alguém a quem isto aconteceu. Ah sim. A Ana, Isabel, a minha prima Luísa, a minha ex-vizinha, a filha da minha chefe. As vozes baixam e as histórias sucedem-se, cada uma mais digna de telenovela que a anterior. Chegou do trabalho mais cedo e apanhou o marido na cama com o próprio irmão dela. Ou: ela não queria acreditar que o marido era gay e a irmã conseguiu fotografias de prova e mesmo assim ela não o deixou. Ou: eram um casal-modelo e quando ela descobriu que ele tinha outro, a mãe disse-lhe: a menina cale-se e vá para a festa… e ela foi. O remate é sempre o mesmo: ‘mas claro que ela não fala’.


Vistas bem as coisas, por que não? Uma traição não é sempre uma traição, seja com um homem ou com uma mulher? Há assim tanta diferença? Ou isto acaba por confrontar-nos com os nossos próprios preconceitos? “É sempre difícil assumir uma traição, e o problema aqui é que as mulheres têm vergonha de contar que foram enganadas com um homem”, explica o psicólogo clínico e terapeuta familiar Fernando Mesquita. “Em Portugal ainda está muito presente a cultura do macho latino que torna muito difícil falar destes assuntos. E a maioria das mulheres acaba por sofrer sozinha e em silêncio na altura da sua vida em que mais precisa de desabafar.”

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Havia sexo sim. “Ele era muito egoísta, nunca me rejeitava, mas também nunca me estimulava.” Como o marido queria muito ter um filho, Manuela acabou por engravidar. Mas depois do João nascer, a situação ainda piorou. “Ele vivia de noite e eu ia sempre atrás, para o controlar. Esse controlo desgastou-me imenso e acabei por ver aquilo que não queria, que é o que acontece geralmente aos ‘controladores’.”

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O que é que outras mulheres podem aprender com as experiências de Dina e Manuela? Pedimos ao psicólogo Fernando Mesquita que fizesse um apanhado da situação.


“Acima de tudo, isto levanta a questão da traição”, comenta. “Se, quando se é enganada com outra mulher, se pergunta ‘até quando é que ele me amou’, quando o homem se revela homossexual, a mulher tem a impressão de que nunca foi amada, e que a relação foi toda ela uma fachada.” Ou seja, como no caso de Dina, muitas vezes o que está em causa não é a homossexualidade em si, mas a percepção de que aquele amor afinal nunca existiu. Muitas mulheres, incluindo a própria Dina McGreevey, afirmam que nunca desconfiaram da homossexualidade do marido. Isso é possível? “É. Todos nós temos diversos papéis sociais ao longo do dia: somos diferentes em casa daquilo que somos no trabalho. Acreditamos que muitos dos frequentadores de prostitutos são homens casados.”

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Segundo a Straight Spouse Network (um site americano dedicado a ajudar mulheres e namoradas de homossexuais), 20% de todos os gays americanos são casados e 50% têm filhos. Segundo Ruth Houston, fundadora do www.InfidelityAdvice.com, a maioria das infidelidades com homens ou mulheres, não são descobertas, e pode ser ainda mais difícil descobrir se alguém é gay. Quanto a ‘salvar’ o casamento, não há consenso: há quem queira e consiga manter esse tipo de união, por várias razões. O site marriage.about.com fez a pergunta: Você permaneceria casada com um homem gay?” A resposta foi surpreendente (ou talvez não): 40% das mulheres responderam que sim, 24% que não sabiam e apenas 35% se separavam. No entanto, dos 15% de casais que optaram por manter o casamento, apenas 7% o conseguem. (Vá ao site da Editorial Presença, se quiser ler o texto completo).

Tema: Ensaio
Colecção: Novo Milénio
Nº na Colecção: 6
Preço c/iva: €20,00
ISBN: 9789722338240
Nº de Páginas: 300

Data de lançamento:
4-9-2007



* Publiquei este post pela mera razão de conhecer pessoalmente três homens (amigos de infância e adolescência) - não conheço pessoalmente a mulher de nenhum (conheço duas de vista) - que são homossexuais e estão casados. Um deles é incapaz de assumir para si próprio que é homossexual. Duas das mulheres, pelo menos, sabem da situação - também não são capazes de assumir a verdade perante elas próprias - casos de egodistonia, portanto...

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