sexta-feira, 2 de novembro de 2007

carta de despedida*

A vida é como é. A despedida é um lugar-comum; para quê semear uma carta com floreados atraentes? Ou pejá-la com angústias passadas? Um amigo dizia-me, dizia que citava, mas não dizia quem, que a vida é só passado, porque o presente é só o que já não é; quando se despediu disse-me que águas passadas não movem moínhos; num instante esqueceu o que nos ligava e o que nos separava; e partiu calmamente como as águas de um riacho. Não movem, não, pensei, mas empenam. A vida passara; nós não nos déramos conta. Quando um dia o sol se levantou, era o mesmo de sempre, mas nós éramos já partidos, ainda que ainda estivéssemos lado a lado. Na hora da despedida, que nos faltava dizer? Haverá algo a dizer na hora da despedida? O que não fora dito era do passado, e águas passadas não movem moinhos (mas empenam); nesta hora de despedida, que me resta dizer? Aceitar que vivi, que os sonhos que realizei e aqueles em que me frustrei, são do passado. O presente é isto que acaba.
*autor anónimo

2 comentários:

  1. ouve lá... eu sei que as fases depressivas são boas para a produção artistica, mas volto a fazer uma proposta: vem cá passar uns dias a coimbra... há cama e companhia para um whisky sem gelo.

    abraço

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