quarta-feira, 12 de setembro de 2007

correio R&L*

As capelanias hospitalares, tal como têm vindo a funcionar, desde há alguns anos, nos estabelecimentos públicos de saúde, são completamente inconstitucionais e a sua existência, nos termos em que actualmente funcionam -- isto é: enquanto capelanias funcionalizadas como se de uma prestação de serviço de saúde se tratasse --, nem sequer está prevista na Concordata de 2004. Ver: aqui Contudo, a Igreja Católica Romana tem vindo a pressionar fortemente o Governo (Ministério da Saúde) no sentido de o obrigar a produzir um novo documento que regulamente o funcionamento daquela actividade de modo tal que, no essencial, fique assegurada a manutenção dos privilégios de que actualmente goza. No sentido de chamar a atenção do novo Presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, Dr. Mário Soares, para aquela situação problemática, a associação República e Laicidade acaba de lhe remeter uma carta onde, para além de apresentar a sua forma de encarar a questão e de recordar uma outra missiva oportunamente enviada ao Ministro da Saúde sobre o mesmo assunto, anexa uma análise do historial da legislação que tem vindo a cobrir o funcionamento das capelanias hospitalares e uma estimativa do encargo que os vencimentos (só os vencimentos) dos capelães representa para o erário público. Ver: aqui Aparentemente, o Governo acaba de produzir um documento (projecto de novo regulamento das capelanias hospitalares) que não agrada aos bispos católicos, pelo que já hoje pudemos assistir aos protestos do Conselho Permanente da Conferência Episcopal. Ver: aqui Em que é que vai ficar todo este processo? Para já é impossível prever: se é verdade que a Igreja Católica Romana não quer perder um importante sector de influência social -- um sector onde, ao que consta, também costuma recolher importantes donativos em espécie…! --; verdade também é que, na gestão do processo, o Governo aparenta alguma vontade de corrigir a situação de gritante e escandaloso privilégio em que se tem vivido... Cá estaremos para ver... Saudações republicanas e laicas *Correio da Associação Cívica República & Laicidade.

3 comentários:

  1. Eu sou Católico Romano e sou Laico. Sou crente em Deus e ateu das ideologias.

    Gostei do modo como expuseste a questão. Há um lado religioso sempre na babugem do sofrimento das pessoas, é verdade.

    Mas não há conforto similar que quer a Razão quer a novireligião Laica possa verdadeiramente veicular.

    O conforto, o consolo íntimo, isso, do meu ponto de vista, é um real privilédio da Fé e dos seus transmissores ou testemunhos.

    A Fé, André, vista de fora, eu sei, parece merda.

    Mas não é. É Mel, vista de dentro.

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  2. "O conforto, o consolo íntimo (...) é um real privilégio da Fé (sic) e dos seus transmissores ou testemunhos".

    Acreditar em algo (Amor, Amizade, Família, Deus) é para muitas pessoas uma fonte de consolo e conforto; pode até ajudar na cura; não é cura em si (no que às doenças do corpo diz respeito).

    Agora, "privilégio dos seus transmissores e testemunhos", isso tem sido a grande falcatrua de todas as religiões ao longo da história da humanidade; o arrogar-se o privilégio de ser o transmissor e testemunho. Sendo a Fé algo intímo e pessoal, que vem de dentro, como pode justificar-se a existência de transmissores e testemunhos?; eu diria antes impossitores e impostores... que vendem Céus e Infernos a troco dos seus objectivos (políticos, económicos, de poder, etc)... Que prometem aos outros a felicidade eterna, para terem a sua felicidade terrena! (Obviamente à excepções, há pessoas dentro das organizações religiosas que realmente acreditam naquilo que fazem; mas a generalização da excepção, não faz dela uma regra - nem o acreditar-se mesmo transforma uma realidade pessoal numa verdade - Para um louco, as suas alucinações são reais).

    Cada um é livre de acreditar e de se consolar com aquilo que quiser. Todos têm o direito de solicitar os serviços religiosos que vão de acordo com os seus consolos. Outra coisa, bem diferente, é existir uma instituição que arroga para si o direito de consolar, i.e., no caso, assediar. E assediar é crime.

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  3. André, o meu blog ressuscitou. Pode retomar as visitas.

    Um abraço!

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