Visto não me terem convidado, eu junto-me discretamente à discussão do momento na blogosfera (haja algo que nos afaste da novela [macabra(?)] dos McCann!)
Os 10 livros que não mudaram a minha vida, uma "corrente" iniciada por manuel a. domingos. Aqui fica a minha lista:
- Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago;
- Os Maias, de José Maria Eça de Queiroz;
- O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar, de Yukio Mishima;
- Os Possessos, de Fiódor Dostoiévski;
- Um Diabo no Paraíso, de Henry Miller;
- O Livro da Selva, de Rudyard Kipling;
- As Filhas de Rebeca, de Dylan Thomas;
- Sylvie e Bruno, de Lewis Carroll;
- Vagão «J», de Vergílio Ferreira;
- Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen.
O mais provável é esta ser uma lista de livros que defraudaram as minhas expectativas, pois dei "prioridade" a autores de que gosto muito, e dos quais li toda, ou praticamente toda, a obra publicada (em Português, no caso dos autores estrangeiros)... *O título que escolhi para este post, é a frase com que Oscar Wilde termina o prefácio de
O Retrato de Dorian Gray...
Post-Scriptum: Tendo lido por aí acusações de que A ou B não gosta de literatura, porque o livro X ou Z faz parte da sua lista de escolhidos, não resisto a deixar aqui, em jeito de provocação, uma pequena citação (de Henry Fielding, in.
Tom Jones):
"(...)
O mundo tem venerado exageradamente os críticos, imaginando-os homens de muito maior profundidade do que realmente são. Esta complacência inspirou aos críticos a audácia de assumir um poder editorial, e de tal modo foram bem sucedidos, que se tornaram agora os senhores e se atrevem a dar aos autores como suas as leis que originariamente receberam dos predecessores desses mesmos autores.
O crítico, bem vistas as coisas, não passa do escriba cujo ofício é transcrever as regras e leis formuladas por esses grandes juízes que pelo seu grande génio foram alcandorados à categoria de legisladores (...)"
Afirmar-se que alguém não gosta de literatura, porque o livro X ou Z não mudou a sua vida, é claramente exagerado e desproporcionado, e configura, na minha opinião, a tentativa de imposição de um cânone! Ora, um cânone é, quanto muito, uma referência, não uma regra...