quinta-feira, 5 de julho de 2007
38 - Sofro, Lídia, do medo do destino.*
Sofro, Lídia**, do medo do destino.
Qualquer pequena coisa de onde pode
Brotar uma ordem nova em minha vida,
____Lídia, me aterra.
Qualquer coisa, qual seja, que transforme
Meu plano curso de existência, embora
Para melhores coisa o transforme,
____Por transformar
Odeio, e não quero. Os deuses dessem
Que ininterrupta minha vida fosse
Uma planície sem relevos, indo
____Até ao fim.
A glória embora eu nunca haurisse, ou nunca
Amor ou justa stima dessem-me outros,
Basta que a vida seja só a vida
____E eu que a viva.
RICARDO REIS, in. Poesia (*Poema número 38, Parte II, pp. 69-70, na Edição da Assírio & Alvim, de Outubro de 2000)
**Substituam "Lídia" pelo nome da vossa amada (ou do vosso amado).
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Publicar um comentário
Deixe o seu comentário. Tentarei responder a todos. Obrigado