Pela primeira vez na vida senti-me invejoso. Nunca desejei, nunca quis, nada de ninguém. Nunca quis ser Outro. Mas hoje ao final do dia, enquanto passeava à beira-rio, gargalhadas sonoras esvoaçaram por entre a verde ramagem dos salgueiros como gorjeios de belas aves. E então, pela primeira vez, senti inveja: inveja das pessoas que são felizes, que conseguem ser felizes, nem que apenas um momento, um instante, o instante de um gorjeio espalhando-se pelo espaço, como o som de uma explosão, que num momento se mostra e depois se silencia. Eu nunca fui feliz. Ou talvez tenha sido. Num tempo que a minha memória já não vislumbra. Onde, nos espíritos das outras pessoas faz alegria, no meu faz silêncio, do mesmo modo que nuns lugares faz sol e noutros chove. Se ao menos nevasse...
quinta-feira, 7 de junho de 2007
rascunho encontrado num caderno abandonado #40
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