segunda-feira, 11 de junho de 2007

A luz surge onde nenhum sol brilha…

A luz surge onde nenhum sol brilha; Onde nenhum mar se agita, as águas do coração Fazem avançar as suas marés; E, fantasmas destruídos com vermes nas suas cabeças, Esses objectos de luz Percorrem a carne onde nenhuma carne esconde os ossos. Uma candeia junto às coxas Aquece a semente da juventude e queima a da idade; Onde nenhuma semente cresce, O fruto do homem mostra o seu vigor nas estrelas, Brilhante como um figo; Onde nenhuma cera existe, a vela apenas mostra os seus cabelos. A manhã surge por detrás dos olhos; E o sangue agita-se como um mar Da cabeça aos pés; Sem defesa nem protecção, as nascentes do céu Irrompem dos seus limites Ao darem-se conta de um sorriso no óleo das lágrimas. Como uma lua a noite cerca Com sua órbita os limites do mundo; O dia nasce nos ossos; Onde nenhum frio existe, a tempestade destrói As roupas do inverno; E a primavera surge nas pálpebras. A luz surge em lugares secretos, Nos limites do pensamento, onde o seu aroma surge sob a chuva; Quando a lógica morre, O segredo da terra cresce através dos olhos, E o sangue jorra do sol; Sobre os campos destruídos, a madrugada detém-se. DYLAN THOMAS (Versão de manuel a. domingos)

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