quinta-feira, 17 de maio de 2007

Tadzio*

Era um grupo de jovens entre a infância e a adolescência, reunidos em volta de uma mesa de verga, sob o olhar atento de uma governanta ou simplesmente dama de companhia: três rapariginhas aparentemente entre os quize e os dezassete anos e um rapaz de cabelos compridos de uns catorze anos. Aschenbach viu com espanto que o garoto era de uma beleza perfeita. O rosto pálido, de uma doce severidade, enquadrado por anéis de cabelo de um alourado quente de mel, o nariz direito, a boca graciosa, a expressão de gravidade adorável e quase divina, lembravam o momento mais nobre da escultura grega e, apesar da perfeição acabada da forma, os traços eram de um encanto tão pessoal, tão único, que o observador não se lembrava de ter encontrado, quer na natureza, quer na arte, obra-prima tão conseguida. THOMAS MANN, In. Morte em Veneza *O Equivalente masculino, na Literatura, para Lolita.

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