quinta-feira, 24 de maio de 2007

FAUSTO. Filosofia, Leis e Medicina, Teologia até, com pena o digo, Tudo, tudo estudei com vivo empenho! E eis-me aqui agora, pobre tolo, Tão sábio como dantes! É verdade Que sou mestre, doutor, e há já dez anos Que discípulos levo, a meu talante, À esquerda, à direita, ao sul ou norte, - Mas conheço que nada nós sabemos! Rói-me isso o coração! Sinto-me acima De mestres e de padres e de escribas; Não me perseguem dúvidas nem 'scrúpulos, Nem do demónio ou do Inferno hei medo - Mas também nunca tenho um'hora alegre! Nem chego a imaginar que haja ciência Em que deveras creia, nem que saiba Cousa alguma ensinar que aos homens sirva, E convertê-los possa ou melhorá-los. Também não possuo eu nem bens, nem ouro. Nem grandezas ou glórias deste mundo: Um cão não suportara uma tal vida! Por isso me entreguei todo à Magia, Para ver se do espírito as potências Alguns arcanos revelar-me podem, Por que não haja com suor amargo De ensinar o que ignoro; o que sustenta Do mundo o interior conhecer logre, Veja as forças activas, veja as causas E cesse o traficar com vãs palavras. JOHANN WOLFGANG VON GOETHE, In. Fausto

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