quarta-feira, 30 de maio de 2007

citação egocêntrica*

Passou por mim uma rapariga que amara em tempos; alguém que louco beijei; que agarrei de encontro ao meu peito, como se a pudesse meter dentro de mim; cujo corpo vagaroso percorri com as minhas mãos apaixonadas. Cujo cheiro ficou impregnado no meu corpo até ao dia em que o fétido cheiro putrefacto da sombra negra me prive desta memória. Cujo sabor agridoce da sua boca ainda escorre pela minha garganta. Tive a sensação de a amar outra vez; de a poder olhar mais uma vez dormindo e achá-la bela. Poderia desprezar a minha vida perante a hipótese de vertê-la em morte, para a salvar de mil inimagináveis perigos. Mas era apenas o nojo, o vazio que ficou, que faz delirar o meu cérebro. Uma angústia brotou do cerne do meu organismo, sob a forma de um ácido torpor no estômago; um súbito e forte batimento do coração e um revolver nos intestinos; um fluxo vasto e espesso de sangue irrigou o meu cérebro; e um refluxo secou-o. Uma tontura. O nojo, o vazio. *Myself, In. Op. Cit.

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