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No outro dia; fugi de ti... podes desculpar-me?
Quando me cruzei contigo, caiu-me um pensamento defronte dos olhos, que se sentiram cansados. Pensei que seria a primeira ou a última vez que te via. Perdoa-me o absurdo da expressão. Não sei se me entendes; mas a angústia desse momento continua vincada em mim, doendo-me furiosamente.
Desci as escadas e senti a tua presença. Tentei esquecer, mas não pude. Talvez não me ames; é certo que nunca me viste, nem ao menos me ouviste. Eu para ti não existo. Mas em cada olhar teu, em cada gesto, em cada palavra, eu sofro-me, não serem para mim. Quando finalmente me cruzei contigo, quando pela primeira vez me olhaste, quando fizeste um gesto que seria meu, a alegria e o desespero foram tantos, que eu não pude ficar. De resto, nem cheguei a saber se era realmente para mim que olhavas, se era para mim que dirigias o gesto com que ias juntar o meu destino ao teu; fugi! #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38,
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
*Post "roubado" ao Luís, do GayFeel. Imagem Mark Rothko. Não resisti a este belíssimo poema de Sophia...
Podem ler o primeiro capítulo no blog Minisciente. O lançamento foi ontem, dia 16, na Fnac Chiado. Podem saber mais sobre a obra de Eduardo Pitta no seu site. Um pequeno excerto:
Na tarde em que o leu, Nora gelou. Tinha gravada na memória a imagem de Martim na cama com o filho do motorista. A casa da Curia só tinha camas de casal, e as férias de Verão, tal como as do Carnaval e da Páscoa, impunham protocolos próprios. Embora fossem cinco, os quartos da casa não eram grandes. Anos houve em que o Grande Hotel foi uma extensão natural do núcleo familiar. Naquele dia, Nora julgava-os entretidos na vila. Seriam seis da tarde quando foi ao quarto à procura de uma revista extraviada. E então viu. Completamente nus, a dormirem profundamente, o radiador aceso em cima do tapete, muito próximo da cama, lençóis e cobertores atirados para trás, a perna esquerda do Tó atravessada nas costas do filho. Toda ela abanava, mas obrigou-se a olhar, a custo sustendo a respiração. Depois fechou a porta. À noite pretextou uma enxaqueca e pediu que lhe servissem o jantar no quarto. O marido nunca soube. Era preciso evitar confusões, perguntas embaraçosas, recriminações mútuas, os mexericos que um regresso intempestivo provocaria, sabe-se lá com que consequências para o motorista. Todos se interrogariam: o marido, os pais, os sogros, a irmã, os amigos, os outros empregados.
Quando as férias acabaram, tudo voltou à rotina. Nora desdobrou-se em estratégias para dificultar o convívio dos rapazes. Matriculou o filho no Instituto Italiano, impôs aulas de judo nas noites que sobravam e arranjou um explicador de matemática que só tinha vaga ao sábado à tarde e morava em Algés. Ao mesmo tempo que achava simpática a ideia do judo, o marido aprovou o cuidado com a matemática. A cultura italiana deixou-o indiferente.
O Luís lançou-me o desafio de me retratar com 7 palavras, para 7 questões... Tentei... Tentei... 7 vezes tentei... Mas nem 7 vítimas consegui encontrar... É que a maioria das hipóteses já estavam... ocupadas. Deixo aqui as perguntas. Para quem quiser tentar...
7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:
7 coisas que mais digo:
7 coisas que eu faço bem:
7 coisas que eu não faço:
7 coisas que adoro:
7 coisas que odeio:
7 amigos para continuar o jogo:
Geoffrey Chaucer, poeta inglês, nasceu em Londres, cerca de 1340, na burguesia da época. O pai era comerciante de vinhos, e julga-se que lhe terá dado uma educação previligiada. O pouco que se sabe da sua vida, conhece-se através de documentos oficiais da corte dos reis Eduardo III e Ricardo II, que registam os seus movimentos e cargos, enquanto membro destas cortes. Em virtude do seu casamento com uma das damas de honra da rainha, ficou em contacto directo com a corte, o que lhe permitiu que realizasse diversas viagens de carácter diplomático pela Europa, entre 1370 e 1378. A arte e literatura italiana marcaram-no profundamente, tendo conhecido, aquando das suas viagens, a obra de Dante, Petrarca e Boccaccio. Após este peródo de viagens, regressou a Inglaterra, onde ocupou diversos cargos oficiais, como o de inspector das alfândegas de Londres. Foi responsável de palácios e parques reais, e residiu ainda em Kent, onde foi parlamentar. Os seus últimos dias foram passados numa casa próxima da abadia de Westminster, onde foi enterrado, ao falecer, em 1400. A sua obra reflecte um período de transiçãao da Idade Média para o Renascimento. As principais obras são: Contos da Cantuária, Tróilo e Criseida, A Cortesia do Amor e O Parlamento das Aves.
A sua obra mais conhecida, Contos da Cantuária, retrata a sociedade medieval inglesa. Foi escrita entre 1380 e 1390. Os contos são narrados através de trinta peregrinos de diversos estratos sociais, que se encontram reunidos na pousada do "Tabard de Southwark", onde repousam, a caminho da tumba de Tomas Beckett, em Canterbury. A cada peregrino é proposto que relate um conto aos companheiros, de modo a amenizar a jornada... Considerada a obra-prima de Geoffrey Chaucer, Contos da Cantuária marca o início do domínio do inglês escrito sobre o latim e o anglo-normando, facto que leva a que muitos considerem Chaucer o pai da literatura inglesa. Chaucer é ainda considerado, juntamente com William Shakespeare, um dos poetas mais representativos e brilhantes da literatura britânica.
Imagem retirada do artigo da Wikipédia sobre Geoffrey Chaucer, que podem consultar, em inglês (mais completo) ou em português.
*A ideia deste post surgiu, após diversos internautas terem vindo parar ao blog, procurando contos de Geoffrey Chaucer.
Foi uma surpresa positiva que Lula da Silva, um Presidente ambíguo e pouco dado a rupturas, tenha dito a Ratzinger que o Brasil vai «preservar e consolidar o Estado laico». B-16 pedira, nessa entrevista, uma Concordata que garantisse os privilégios a que a ICAR está habituada noutros países: isenções fiscais e ensino do catolicismo na escola pública a expensas do Estado, por exemplo (com o acinte extra da obrigatoriedade do ensino do catolicismo). Também quereria interferir, aparentemente, na legislação sobre aborto e distribuição de anticoncepcionais. Levou, em tudo, um rotundo «não».*No Diário Ateísta.
A liga portuguesa de futebol decide-se no próximo domingo, a partir das 19:15. Benfica, Porto ou Sporting, um deles será o próximo campeão nacional de futebol. Nada que não seja do conhecimento geral... Vou preparar três posts, com três imagens diferentes, para dar os parabéns ao vencedor. A música será a mesma para todos: We are the Champions. Benfica, Porto ou Sporting? Aceitam-se apostas...
Chamava-me, alguém, longe, distante, mas eu não respondi. Chamava-me, alguém, estranho, mas eu não quis ouvir. Pedia-me que ficásse, mas eu parti. Para ti. Pedia-me que regressásse, mas eu fiquei. Em ti. Pedia-me que reconsiderásse, mas eu fugi. Contigo... Prendi-me a ti. Prepetuamente te quis, à morte me condenei. Foste uma prisão sem paredes nem grades. E nem assim eu ousei evadir-me. E nem assim me quiseste... Ouvia dizer, por outras palavras, de outras pessoas, estranhas, que o teu coração me mentia, que o meu coração se deixava enganar, que tu nunca me amarias, que tu nunca me quiseste amar. Que o teu sorrido, que fazia bater o meu coração, que iluminava a minha alma na escuridão da noite, não era para mim, na verdade...
Os olhos que eu desejo
São os castanhos que vejo
Muito juntinho a mim,
Por isso me sinto assim:
Voa a negra ave presa
Por um fio de ouro,
Transporta a alma rúbea,
Suja, até ao castelo mouro...
Enfeita-se como marquesa
De verde, a minha tristeza,
E azul, branco, vermelho
E de amarelo-rúbeo-velho.
Na cama estendida é bela,
Sempre a sorrir, de preto
Pintada... De preto toda ela
Vagueando pelo castelo...
Não sei o que sinto!
Se calhar eu nem sinto!
Mas, muito junto a mim
Está por quem estou assim...