segunda-feira, 16 de abril de 2007

os múltiplos

- Isto vai na mecha - disse o interno, levantando os olhos do livro, que pôs de lado. Tirou outro do bolso. - Pois vai - disse Manjamanga. Trazia uma camisa amarela que brilhava alegremente ao sol; o sol batia-lhe de chapa. - Chegamos ainda esta noite - disse o interno, folheando por alto o novo livro. - Vamos lá a ver... - respondeu Manjamanga. - Ainda estamos a caminho. Pode haver múltiplas emboscadas. - Múltiplas de quê? - perguntou o interno. - De nada - respondeu Manjamanga. - Então deixam de haver emboscadas, porque qualquer múltiplo de nada é sempre nada. - Não me aborreça. Onde é que aprendeu isso? - Neste livro. Eram as lições de aritmética de Brachet e Dumarqué. Manjamanga arrancou-lhe o livro das mãos e deitou-o pela janela fora. BORIS VIAN, In. O Outono em Pequim

1 comentário:

  1. Tenho esse livro na parteleira para ler ( assim que acabar os que tenho em curso ) e gostei mt do excerto... acho que lhe vou dar prioridade! :)

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