quarta-feira, 4 de abril de 2007

O Casamento de uma Virgem

Ao despertar, sozinha, no excesso do amor quando a luz da manhã surpreendida, nos olhos já abertos e extensos como a noite, o seu dourado ontem que permanecia adormecido na íris, e o sol que neste dia se levanta do seu corpo para o céu, foi a virgindade tão antiga e miraculosa como os pães e os peixes, embora o instante de um milagre seja como um relâmpago sem fim e haja, nos caminhos da Galileia, estaleiros que ocultam uma flotilha de pombas. Nunca mais podem as vibrações do sol sentir o desejo nesse leito, tão fundo como o mar, onde solitária se desposou ou no seu atento coração, quando os lábios vêm aprisionar a avalanche do espírito dourado que cercou os ossos de mercúrio com rios e que sob as pálpebras das suas janelas ela ergueu uma dourada bagagem porque, onde o fogo penetrou, dorme um homem e ela em seus braços sente esse novo sol, o ciúme do sangue que corre sem rivais... DYLAN THOMAS

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