quinta-feira, 19 de abril de 2007

diz o Diabo:

«Dato do princípio do mundo, e desde então tenho sido sempre um ironista. Ora, como deve saber, todos os ironistas são inofensivos, excepto se querem usar da ironia para insinuar qualquer verdade. Ora eu nunca pretendi dizer a verdade a ninguém - em parte porque de nada serve, e em parte porque não a conheço. Meu irmão mais velho, Deus todo poderoso, creio que também a não sabe. Isso, porém, são questões de família. (...)» «Minha senhora, todas as religiões são verdadeiras, por mais opostas que pareçam entre si. São símbolos diferentes da mesma realidade, são como uma frase dita em várias línguas; de sorte que se não entendem uns aos outros os que estão dizendo a mesma coisa. Quando um pagão diz Júpiter e um cristão diz Deus estão pondo a mesma emoção em termos diversos da inteligência: estão pensando diferentemente a mesma intuição. O repouso de um gato ao sol é a mesma coisa que a leitura de um livro. Um selvagem olha para a tormenta do mesmo modo que um judeu para Jeová, um selvagem olha para o sol do mesmo modo que um cristão para o Cristo. E porquê, minha senhora? Porque trovão e Jeová, sol e cristão, são símbolos diversos da mesma coisa. (...)» FERNANDO PESSOA, In. A Hora do Diabo (Edição de TERESA RITA LOPES, Assírio & Alvim, 1997)

5 comentários:

  1. Deu medo! :) Mas Fernando Pessoa vale a pena.

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  3. Olá. Já adicionei os vossos blogs à minha lista de blinks, e espero ter tempo para os visitar com calma. Abraço.
    Wagner, Fernando Pessoa vale sempre a pena (quando a alma não é pequena) :)

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  4. Pessoa vale smp a pena, sm dúvida... principalmente qnd a alma é pequena... e precisa deser engradecida! ;p

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  5. Um comentário foi apagado a pedido do autor do mesmo.

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