segunda-feira, 30 de abril de 2007
o meu fim-de-semana
thinking blogger #2
A White Box nomeou-me para o thinking blogger award... Pela segunda vez sou chamado a nomear cinco blogs... Os primeiros cinco que nomeei podem ser vistos aqui... Bem, isto de escolher, como já disse, é um pouco complicado, mas depois da primeira... Além de mais, quem me visita já deve ter notado... Estas coisas inúteis que preenchem a internet, e a blogosfera de modo particular... Um modo de passar o tempo, como outro qualquer... Como se fosse uma conversa de café... Aqui ficam os meus cinco nomeados, nesta segunda oportunidade de votar que me foi dada... Antes disso... É também uma oportunidade para nomear amigos... Da vida real... E não só!
Se alguém me quiser nomear... Já tenho mais nomes na calha! Mas... Se quiser ser nomeado por mim... Então não me nomeie... Que isso sim... Nomear quem nos nomeou é que seria totalmente punheteiro... tímido, intelectual e tudo! Ficam portanto nomeados, embora sem o terem sido, aqueles que me nomearam! Obrigado Papagueno, obrigado White Box!
sábado, 28 de abril de 2007
nome completo
sexta-feira, 27 de abril de 2007
LUGAR - IV
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde
uma paixão bárbara, um amor.
Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
Olho minha loucura, escada
sobre escada.
Mulheres que eu amo com um des-
espero fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em quem toco levemente
levemente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão
Dentro da minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
das suas cabeças
ardentes: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
HERBERTO HELDER, In. A Colher na Boca
quinta-feira, 26 de abril de 2007
a propósito de Revolução...
A revolução é a vida e os preconceitos encarregam-se de cavar o seu próprio túmulo.
soneto XXII
Quantas vezes, amor, te amei sem te ver e talvez sem me lembrar
sem reconhecer teu olhar, sem olhar-te, centáurea,
em regiões hostis, num meio-dia ardente:
tu eras só o aroma dos cereais que amo.
Vi-te talvez, imaginei-te ao passar erguendo uma taça
em Angol, à luz da lua de Junho,
ou eras tu a cintura daquela guitarra
que toquei nas trevas e soou como o mar desmedido.
Amei-te sem o saber, e procurei a tua memória.
Nas casa vazias entrei com lanterna para roubar o teu retrato.
Mas eu já sabia como eras. De repente
enquanto lias comigo toquei-te e a minha vida parou:
estavas diante de mim, reinando sobre mim, e ainda reinas.
Como fogueira dos bosques, o fogo é o teu reino.
PABLO NERUDA, In. Cem Sonetos de Amor [Tradução de Albano Martins, Campo das Letras, Maio de 2004]
Roubam-me Deus,
outros o Diabo
- quem cantarei?
roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubaram
- quem cantarei?
sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
todos me roubam
- quem cantarei?
roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui del-rei!
JORGE DE SENA, In. Felicidade (1958)
quarta-feira, 25 de abril de 2007
25 de Abril
terça-feira, 24 de abril de 2007
um poema em fúria...
Através da concupiscência das horas
Bebo o sangue dos culpados,
Em suaves golos
Tenho gula de matar a hipocrisia...
E tudo isto é religião!!!
Rezo
Amo os deuses pederastas
A arder nas fogueiras da inquisição
Silenciosamente, mortos por padres
A sodomizar crianças...
E tudo isto é religião!!!
Grito
Em cima dos montes, das casas, dos vales
Mil imagens sonoras, num segundo
Toda a vida
Odeio tudo e amo
Furiosamente...
E tudo isto é religião!!!
o caminho
recebido por e-mail
segunda-feira, 23 de abril de 2007
post-a-pedido
dia mundial do livro #4
encontro de Poetas Eslovenos e Portugueses
dia mundial do livro #3
o ópio dos intelectuais*
dia mundial do livro #2
domingo, 22 de abril de 2007
descontos de 50%, amanhã...
não resisti...*
excerto de "A Saudade"
E eu ainda não me fui deitar.
Faço estes versos sem sentido
Para esquecer as lágrimas que choro...
Eu ainda não me fui deitar
Nem me quero ir deitar.
Tenho sono, muito sono!,
Mas não tenho vontade de dormir!
Eu ainda não me fui deitar!
Prefiro estar aqui a chorar
Sozinho...
Quero chorar sem fim
Até ficar desidratado
E ter os olhos inchados...
E quando não tiver mais lágrimas
Para chorar,
Continuarei a chorar as lágrimas-versos-sem-sentido!
São altas horas da madrugada
E eu ainda não me fui deitar;
Continuo aqui a chorar
Sem saber porquê!, talvez por nada!
São altas horas da madrugada,
E eu já devia dormir há horas!
Mas é melhor continuar aqui a chorar,
E a ouvir música que me dá vontade de chorar...
E a lembrar o tempo morto que me dá vontade de chorar
E a lembrar tudo que me faça chorar,
Porque me apetece chorar,
Agora, que não sei porque é que estou a chorar...
São altas horas da madrugada;
Se me tivesse deitado
Não podia escrever estes versos-lágrimas-sem-sentido...
Que sortudo que eu sou...
Que não me fui deitar porque choro
Sem saber porquê, com sono e sem vontade de dormir...
São altas horas da madrugada,
E tudo que me lembra é chorar;
Mas não me lembra porque é que choro!
São altas horas da madrugada,
Que raios que estou sempre a repetir
Que são altas horas da madrugada...
São duas horas e quarenta e seis minutos!
São altas horas da madrugada,
E tudo o que faço, faço-o porque sim!
Tudo o que faço parece não ter filosofia;
E ainda bem que não tem filosofia!...
Choro!, choro cada vez mais,
Ao ritmo dos meus versos
Cada vez mais sem sentido!
Coitados dos meus versos!
Tudo parece perder o sentido
A esta hora da madrugada:
Lá fora não se houve nada!
Está tudo a dormir...
Parecem todos despreocupados,
Mas mesmo a dormir, não devem estar mais descansados...
thinking blogger
sábado, 21 de abril de 2007
a questão
The Wage
que vida é esta?
E uma pessoa não tem ninguém nem nada e viaja pelo mundo fora com uma mala e uma caixa de livros e sem qualquer tipo de curiosidade. De facto, que vida é esta? Sem casa, sem coisas herdadas, sem cães. Se ao menos uma pessoa tivesse recordações! Mas quem as tem? Se houvesse infância... Mas ela está como que enterrada. Talvez seja preciso ser-se velho para alcançar tudo isso. Penso que deve ser bom ser velho.
RAINER MARIA RILKE, In. As Anotações de Malte Laurids Brigge. [Relódio D'Água Editores, Dezembro de 2003]
sexta-feira, 20 de abril de 2007
neologismos
carta de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz*
Ao meu exílio, que sou eu mesmo, a sua carta chegou como uma alegria lá de casa, e sou eu que tenho que agradecer, pequenina.
Já agora uso a ocasião e peço-lhe desculpa de três cousas, que são a mesma cousa, e de que não tive a culpa. Por três vezes a encontrei e a não cumprimentei, porque a não vi bem ou, antes, a tempo. Uma vez foi já há muito, na Rua do Ouro e à noite; ia a Ofelinha com um rapaz que supus seu noivo, ou namorado, mas realmente não sei se era o que era justo que fosse. As duas outras vezes foram recentes, e no carro em que ambos seguíamos, no sentido que acaba na Estrela. Vi-a, uma das vezes, só de soslaio, e os desgraçados que usam óculos têm um soslaio imperfeito.
Outra cousa... Não, não é nada, boca doce...
Fernando
carta de Ofélia Queiroz a Fernando Pessoa*

Vai decerto parecer-lhe bastante estranho receber uma carta minha, mas já que foi tão amável não hesitando confiar-me a sua fotografia, sabendo que era para mim, e tendo o Carlos confessado que, não sabendo mentir, me traiu e traiu o Fernando - porque o combinado comigo era pedir-lhe a fotografia, sem dizer para quem era, e creio que o combinado com o Fernando era não me dizer que lhe tinha dito que era para mim. - Enfim, com tanta combinação tinha por força que dar asneira, asneira essa, que só resultou em benefício para a minha pessoa. 1.º porque alcancei uma coisa que tanto desejava e tanto prazer me dá. 2.º porque me encorajou a escrever-lhe para lhe agradecer de todo o coração a sua interessante fotografia - em fragrante delitro - não tem vergonha?!...
Também, se o Carlos não conseguisse que o Fernando lha desse, estava condenado a ficar sem a dele, com a dedicatória e tudo, porque eu já tinha jurado roubar-lha. Assim gostei muito mais por ter vindo propriamente das suas mãos, com destino à minha pessoa, embora da parte do Fernando sem prazer algum...
Adeus Fernandinho, se quiser dar-me a alegria de receber notícias suas, pode fazê-lo para a Praça D. João da Câmara, que é onde tenho estado ultimamente.
Subscreve-se muito grata a
Ofélia
*Este post foi escrito a propósito do pedido de alguns leitores, após a leitura do post carta de Ofélia Queiroz a Álvaro de Campos, que também me perguntaram em que livro podiam ser encontradas as cartas. Por minha falta (meu esquecimento) olvidei-me de referir o livro, e a edição. Aqui fica, para os interessados: Cartas de Amor de Ofélia a Fernando Pessoa, Assírio & Alvim, Novembro de 1996, organização de Manuela Nogueira (meia-irmã de Fernando Pessoa) e Maria da Conceição Azevedo.
No verso da fotografia (igual áquela que coloquei neste post) que Fernando Pessoa ofereceu a Carlos Queiroz, pode ler-se: «Carlos: isto sou eu no Abel, isto é, próximo já do Paraíso Terrestre, aliás perdido. Fernando» No verso da fotografia que ofereceu a Ofélia Queiroz escreveu: «Fernando Pessoa em flagrante delitro.»
agenda das comemorações do 25 de Abril de 1974, em Pinhel
cinco perguntas e um convite
quinta-feira, 19 de abril de 2007
diz o Diabo:
diz Abu Hassã:
In. As Mil e Uma Noites (tradução de ANTOINE GALLAND)
sessões de leitura
excerto de carta, de Franz Kafka a Felice Bauer
amêndoas de Páscoa todo o ano...
quarta-feira, 18 de abril de 2007
contra o fanatismo
palestra sobre a Implantação da República
terça-feira, 17 de abril de 2007
tiroteio na Universidade Técnica de Virginia #2
Tiroteio na Universidade Técnica de Vírginia
segunda-feira, 16 de abril de 2007
os múltiplos
domingo, 15 de abril de 2007
pergunta retórica...
supersticioso, eu?
sábado, 14 de abril de 2007
novas oportunidades?!?
Sábado, 14
| Your Luck Quotient: 61% |
sexta-feira, 13 de abril de 2007
não percam, amanhã, sessão de lançamento
Marco, a sus 16 años, se quitó la vida hace apenas unas días en Turín. Atrás quedaban meses de acoso escolar, motivados en gran medida por su homosexualidad. Como ocurrió en España con el caso de Jokin, esta muerte y el ‘bullying’ están centrando la atención de los medios de comunicación.
El colectivo Arcigay, el más importante del país, ha asegurado que la muerte de Marco es sólo “la punta del iceberg” y que son muchos más los suicidios de adolescentes motivados por el ‘bullying’ homófobo, en un país en el que la homosexualidad aún es frecuentemente atacada desde la omnipresente Iglesia Católica y las fuerzas más reaccionarias, tanto de derechas como incluso dentro de la coalición de centro-izquierda, actualmente en el poder.
Marco escribió una carta antes de saltar por la ventana de su apartamento. “En el colegio no me aceptan porque me ven diferente, no me siento integrado“, escribió. Su madre, preocupada por los problemas de su hijo, había alertado del acoso a la directora de sus instituto, pero nada había cambiado. (via Dos manzanas)
manifesto
"Exmo Sr Embaixador da Polónia,
Enviem um e-mail com este texto para: politica.embpol@mail.telepac.pt
quinta-feira, 12 de abril de 2007
carta de Ofélia Queiroz a Álvaro de Campos
excerto de carta, de Dylan a Caitlin
foderam o meu anankê!*
o teu nome
e saber-te distante
como a distância
de uma palavra
amo-te! serviria?
tanta ânsia
de amar-te! poderia?
e saber a possibilidade
da desilusão
tanta como
tão grande o
desespero
estou doido? seria
mais fácil, mas
é como quando passas
ao meu lado
um discurso
disfragmentado
porque me olhas?
porquê? poderei
algum dia
perguntar-te, e depois
esquecer?
como este cigarro
que acendo, e depois
apago
(ou seja, amanhã
quando acordar...)
*Este post é dedicado a todos os meus amigos de Coimbra (2000/2005)
rascunho encontrado num caderno abandonado #30
O único ideal dos políticos é o poder - tudo o resto mais não é que uma arenga, uma canção de embalar o povo - de modo que, uma vez alcançado o poder, se julgam no paraíso - o lugar onde tudo lhes é permitido.
a amizade
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Lover of Life, Singer of Songs
Freddie Mercury! Palavras para quê? I Can Hear Music...
Site Oficial: Lover of Life, Singer of Songs
Site Oficial QUEEN
quanto à licenciatura de José Sócrates...
Feira de Orientação Escolar e Profissional
capitalista
terça-feira, 10 de abril de 2007
BICHUS
quanto vale o teu blog, em dólares? (actualização)
My blog is worth $31,614.24.
How much is your blog worth?
Dia 07/04/2007 valia $19,194.36, hoje, dia 10/04/2007 vale $31,641.24. Está a valorizar. Portanto, se alguém quiser investir, está na altura certa! Ainda não vale tanto como o Arrastão, mas está a caminho... Se algum Casino não tiver mais onde gastar dinheiro... Arredondando, vendo por $30,000.00...
curiosidade literária
28% de hipóteses de ser multimilionário
| Your Chances of Being a Multimillionaire: 28% |
segunda-feira, 9 de abril de 2007
spyware terminator - grátis
o dia de não-aniversário
rascunho encontrado num caderno abandonado #29
...mas tenho medo. Medo de estar doente, e medo de não estar - isto é, tenho medo que me vejam apenas como mais um hipocondríaco. (...) Isto parece paixão, parece amor, parece ridículo. E é isso tudo. E é desespero. E é nada. E sou Eu e a minha solidão aqui abandonada, à minha porta, sem-abrigo, pedindo para entrar. Insiste, insiste, demónio!, insiste, insiste, insiste! Que eu não fico nem me vou embora. Sou teu!... Apenas teu... E sou de ninguém... (...) E posso ficar aqui às escuras, a escrever tudo o que me vier à cabeça, sempre o mesmo, e a decidir se vou ou não vou fumar um cigarro, e a mandar o mundo à merda em pensamento, e na forma destas palavras de caligrafia de traço largo (não porque eu seja extrovertido, ou possessivo, mas porque estou furioso, e talvez isto me acalme)...
o instante
Se duas pessoas que se amam deixam um instante que seja instalar-se entre elas, esse instante cresce - fica um mês, um ano, um século, fica tarde de mais.


















