sexta-feira, 30 de março de 2007

o meu grande português #9

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma,
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pode ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

 FERNANDO PESSOA

 
Tendo andado a navegar pela blogosfera, e tendo encontrado diversos posts a discorrer sobre o que era ou não era Fernando Pessoa, discussão assaz inútil e inconclusiva; e ainda estupefacto com a pobreza do pobre documentário apresentado pela Clara Ferreira Alves, aqui deixo, para quem não conheça, o poema do qual apenas foi citado o último verso "Dá-me mais vinho, porque a vida não (sic) é nada". Obviamente, este "não" foi uma das muitas poéticas desinspirações da apresentadora/defensora do dito documentário...

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