terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #18

É quarta-feira, e eu não penso nisso. Existe em mim uma pulsão para abandonar toda a minha vida, todos os meus conhecidos, e partir para outro local, onde também haja quartas-feiras para não pensar nelas. (...) Algo como um suicídio existencial: matar-me sem me matar. Uma transfiguração: deixar de ser Eu, sem mudar. Ideação suicída? Sim, sempre tive esta tendência para não pensar nas quartas-feiras. Desde quando? (...) Ainda não sei. Hoje à tarde tenho uma reunião, e estou farto de reuniões. Queria apenas uma casa modesta, mas confortável, num local sem gente por perto. Misantropo? Verde, muito verde em volta. Um prado enorme, limitado por um renque de ciprestes. Um alpendre à frente, aberto para o horizonte; e um nas traseiras, envidraçado, para me espreguiçar nos dias de Inverno. Apenas as divisões do rés-do-chão, e um sótão amplo, com muita luz natural, a entrar pelo tecto: uma divisão preenchida por estantes; estantes repletas de livros, álbuns, e filmes. E no meio, perto das escadas que descem para a sala-de-estar, uma secretária. (...) Tudo isto porque hoje é quarta-feira, e tenho uma reunião. Raios partam as reuniões!...

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1 comentário:

  1. como tão bem me revi nessa necessidade de um suicidio não suicida... ou lá o que raio é isso... ;-)

    abraço

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