segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #2

Estou outra vez apaixonado. Mas não escrevo poesia. Porque se antes necessitava do coração em tumulto, hoje preciso da alma em paz. Preciso de um equílibrio interior que me permita perscrutar os sons que vêm de dentro. Por isso não escrevo. Porque vivo numa ansiedade diária. Vivo para ver aqueles olhos. Aquele cabelo. Aquela face. Aquele corpo, que não conheço... As palavras vão-se repetindo; vão sendo outra e outra vez as mesmas; como é a mesma a dor. É uma repetição monótona como monótona é a vida. É dizer sempre o mesmo de maneira diferente com as mesmas palavras. É entediante. E cansativo... É a mesma, a silenciosa agonia. É a mesma a monstruosa opressão. São as mesmas as palavras. E de maneira diferente volto a dizer a mesma dor.

#1

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixe o seu comentário. Tentarei responder a todos. Obrigado